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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Sobre o dia da mulher

Hoje veio-me à cabeça o dia da mulher. Confesso que acho o dia em si bastante tétrico, comemora-se a coragem e a morte de quem lutou pela igualdade incitando os homens a oferecerem flores às mulheres. Pergunto-me sempre se as flores que nos oferecem nesse dia são roubadas às campas das mulheres que morreram em fábricas e manifestações, mas algum bem há-de nascer da discussão do tema!

Quando o Bloco de Esquerda falou naquela tolice de mudar o nome de "Cartão de Cidadão" para "Cartão de Cidadania" confesso que me custou ver um partido de esquerda sem o mais pequeno sentido poético! É que se cartão rima com cidadão, já cidadania tem poucas opções de rima, talvez "Mania de Cidadania"?!

O que eu ainda não vi foi gente a discutir a igualdade nos insultos. Porque é que puta é insulto e puto não? ou filho da mãe e não filho do pai? Se vivemos em pleno século XXI porque é se perpétua o insulto às mulheres que vendem sexo (e não aos homens) e às mães solteiras e seus filhos (e não aos homens)? Não sou a favor do politicamente correcto, nem nas canções infantis, nem nos insultos!!! Podemos manter as tradições, mas lutar pela igualdade criando outras para as igualar! Então que tal se ao insulto "filho da mãe" se responder "e tu és um filho do pai"?! Acabavam-se as parvoíces.

Bem, lembrei-me disto também por causa das beatas (na linguagem popular mulheres que são devotas em excesso) e beatos (na linguagem popular homens que foram beatificados pela igreja), porque ontem estava a conversar com a D. Rosa, anciã com mais de noventa anos, e quando lhe perguntei onde ía, respondeu-me a rir que ía à Via Sacra com a D. Adelaide que era muito beata! E aquele riso irónico de quem vai à Via Sacra pela companhia de uma amiga numa tarde de Domingo diz muito sobre ser mulher.