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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Serenidade

Tenho um certo medo do que a idade fará à minha vontade de ler. Sei que a idade nos faz perder a visão, a concentração e a paciência tantas vezes necessária para nos debruçarmos sobre as palavras. Vi-o acontecer em familiares próximos, os livros que dantes andavam pela sala, perdidos entre o sofá e as mesas, passaram a enfiar-se nas estantes antes mesmo de serem abertos. 

A mim já me está a falhar a paciência, já deixo livros por acabar (sacrilégio que anos atrás me faria banhar em água benta), já passo semanas sem ler um livro, e quando o faço já consigo demorar uma semana a acabá-lo. Mas a falta de paciência revela-se especialmente aguda na minha crescente incapacidade de ler textos mais complexos, que alguns chamam de bem escritos ou boa literatura! Confesso-me algo burra, e não percebendo um texto à primeira, ando com falta de paciência para repetir a leitura. Aliás, ando com falta de paciência para ficar com dúvidas sobre o que leio. Só consigo ler coisas simples. Discurso directo. Quando muito, metáforas óbvias. Tudo o resto me parece uma terrível perda do meu tempo. E ainda não me decidi se choro ou se rio.