Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

S. Tomé

Acabei de vir de férias e estou cansada. Ou pelo menos, o cansado é uma desculpa tão boa como outra qualquer. Anda-me a falhar a capacidade de compreensão das coisas, que é como quem diz, das pessoas. E como esta é uma sensação inesperada em mim, sinto-me ultrapassada. Até coisas simples como a conversa do médico sobre uma qualquer mazela e o tratamento a seguir passaram a ser de difícil percepção, e vejo-me a pegar em papel e caneta para registar a mais básica das conversas. Só depois de pesquisar na net três ou quatro sites sobre o assunto me senti elucidada. Fico a pensar se estarei a perder capacidades ou se me estou a viciar em validar por mil palavras cada informação que recebo e no processo perco a capacidade de interpretar uma simples explicação. Cada vez entendo menos as pessoas. Parece-me que falam todas demasiado depressa de demasiadas coisas. Ou então cada uma falará do seu assunto, mas ouvindo eu cada vez mais pessoas sobre milhentos assuntos o caldeirão do conhecimento parece-me demasiado pesado. Remoo na minha cabeça o que a minha tia me diz "andam a querer obrigar-me a ser douturada em tudo quanto é assunto", e fico a pensar que ando a saltar gerações.

 

Então lembro-me com saudade dos tempos de faculdade em que me safava com uma perna às costas e pergunto-me "como?". Como me safava eu, a faltar a tudo quanto era aula, num tempo em que a papinha tinha cada um de a fazer! Percebo então que já nessa altura me faltava capacidade de perceber o que os professores me queriam explicar e que só entendia a matéria quando me propunha a entendê-la com os olhos e os dedos. Concluo assim, que talvez seja como sempre fui... S. Tomé mouco de ouvidos... e imagino o apóstolo a verificar em três ou quatro sites sobre o processo de cicatrização das chagas de Cristo.