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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Resumos

Quando andava no liceu tive bons e maus professores de português. Lembro-me do professor de declamava Camões como se estivesse no D. Maria e da professora que nos obrigava a decorar os verbos como se tratasse de uma tabuada. Mas a professora que mais recordo foi a que no início do ano disse, a propósito de qualquer outra coisa, que guardava os textos e trabalhos dos seus alunos como recordação. Sempre associei a palavra vocação a ela.

Num dos testes que tive com essa professora, no grupo de escrita pedia-nos para fazer o resumo em poucas linhas de um texto apresentado. Eu fi-lo em menos linhas do que o pedido, e a professora deu-me nota máxima no texto elogiando o meu poder de síntese e a capacidade de identificar o assunto com precisão. Eu, que estava em plena adolescência e escrevia desabafos em cadernos de argolas, no teste seguinte achei que devia dar largas à minha veia literária, sem respeito por sintaxe ou pontuação, porque assim escreviam os grandes autores, livres e sem amarras. Claro que quando recebi o teste, a redacção tinha um grande risco vermelho de cima a baixo e a professora estava desiludida comigo. Bom, este é em si mesmo um bom resumo da minha vida.