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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

O tamanho do cérebro e outras coisas que tal

Ando a ficar esquecida! Com tanta informação e desinformação a combater entre si no meu cérebro, já não me lembro do que fiz ontem. Li uma vez que o cérebro humano é incrivelmente desaproveitado e que só utilizamos cerca de 10% das suas capacidades. Na altura pensei que tinha lógica, a quantidade de conhecimentos que actualmente gerimos seria imensamente superior ao que o homem geria há centenas de anos atrás, pelo que essa evolução poderia ser exponencial e ainda estarmos no início da trilha do conhecimento.

Mas agora acho que não. Se eu percebo muito mais de tecnologia, economia, corpo humano e até do espaço, do que os meus antepassados, não percebo nada de natureza. Não identifico sons, não pressinto o perigo, não sei como me defender, nem dos elementos, nem das pessoas. Sinto que o meu cérebro é finito, que se fixo muita informação de determinado tema, há outra tanta que desaparece. Mais do que o cérebro, sinto que também as minhas ideiais são finitas. Tenho um punhado de ideias, um punhado de situações que me marcaram e um punhado de frases na cabeça (sendo uma dessas ideias, esta que aqui tento explicar). Mas não sou só eu, somos todos, cada um por si e como espécie. Temos um punhado de ideias fixas, a ideia de reproduzir, de conquistar e de nos eternizar. As estórias da história não mudam, com maior ou menor detalhe para aqui ou para acolá, já contamos as mesmas histórias desde sempre, a tragédia grega é a nossa tragédia, a crítica social do séc. XVIII é a nossa crítica social.

Uma das minhas maiores decepções foi quando depois de ler alguns livros durante uma ou duas décadas, comecei a perceber que as estórias e as modas eram cíclicas. Que a história que eu li hoje, ambientada no século XXI era igual à história que eu li na adolescência ambientada no século XIX. Então, pensei eu, para que escrevem ainda os escritores?! Escrevem para os novos leitores. Será? Será por isso que morremos? Para não nos repetirmos? Ou para nos repetirmos incessantemente...

Que pensarão os extra-terrestres? Que interesses terão os robôs? Será que lhes interessará o amor? Qual será a ideia que lhes orientará a existência? Será que temos capacidade para a imaginar? E ao construirmos nós os robôs, serão eles feitos à nossa imagem? Conseguiremos ensinar o amor? Ou o amor ficará connosco, assim como a magia ficou com os deuses?