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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

O que fazer?

Sou uma pessoa de lágrima fácil e choro difícil. Caem-me lágrimas por tudo e por nada, por um livro, por um  filme ou um poema. Inclusive, já desenvolvi uma técnica de sacudir discretamente as lágrimas antes de me molharem a pálpebra para não passar vergonhas. Mas quando acontecem desgraças com os meus ou com o mundo, os meus olhos mantêm-se secos. Sinto-me com um cérebro demasiado pequeno para gerir tanta emoção, e a dor só aparece à noite disfarçada de ansiedade que se entranha nos sonhos.

Por isso tenho andado de rosto seco com tanta tragédia e a pensar o que poderei fazer para prevenir que isto volte a acontecer. Sei que os problemas resolvem-se quando o poder político e económico começarem a tomar decisões, mas acredito que a soma das pequenas acções de cada um de nós pode resultar numa grande acção conjunta. É por essa razão que eu voto, é por essa razão que eu reciclo, que eu evito andar de carro (dado que ainda não tenho como comprar um eléctrico), e é por essa razão que no ano passado plantei árvores quando andei em caminhada pelo monte. Este ano dei algum dinheiro para ajudar as pessoas que dele vão precisar, e decidi que quando fizer caminhadas vou andar com a tesoura de poda na mão para cortar os eucaliptos pequenos que vir e evitar que cresçam (já que não tenho como cortar as árvores grandes) e encher a mochila com as pinhas que conseguir para fazer uma micro limpeza do mato. Mas isso é pouco, mesmo para mim, e ando a matar a cabeça a pensar no que mais poderei fazer.