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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Não começar de novo

Se há coisa que eu tenho vontade, sempre que algo corre mal com o que faço, é começar de novo. Rasgar as páginas, os trabalhos, os ficheiros e começar de novo! É uma compulsão que me levava quando criança a passar os cadernos a limpo quando me enganava nas aulas, a desfazer os trabalhos em ponto de cruz quando o ponto ficava irregular, ou a despejar as gavetas que tinha levado horas a organizar quando ao fim concluía que o espaço não estava optimizado. Até que certo dia, fiquei a olhar para uma pequena tela de bordado que eu ao longo da minha infância tinha por diversas vezes começado a bordar, e que estava completamente vazia, sem um ponto sequer preenchido. Senti que, no meu afã de bordar uma tela perfeita, perdi o registo dos meus imperfeitos pontos infantis, que hoje muito me fariam sorrir. E pensei nas horas desperdiçadas a passar cadernos que anos depois deitei fora, nos trabalhos que nunca concluí porque estava sempre a recomeçar, e no quarto que, de tanto ter as gavetas extraordinariamente organizadas, estava sempre estranhamente desarrumado! Apartir daí comecei a tentar não começar de novo sempre que algo me corria mal. Aceitar que não sou perfeita, que me engano a escrever, a trabalhar ou a agir, e deixar as coisas como são. Mas é uma luta constante comigo mesma. E se a maioria das vezes eu ganho, outras há em que ganho eu.