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Ri-te Rita

que a vida não rima

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Moral e ética

É difícil perceber o que é certo e errado hoje e aqui e o que continuará a ser certo e errado amanhã e acolá.

Penso nisto a propósito do Rui Pinto.

Que direito tinha o Rui Pinto de invadir a privacidade de outros? Nenhum? A vontade de um indivíduo de conhecer a verdade por detrás da evidente mentira justifica esse direito? E um investigador da polícia? Que direito tem de invadir a privacidade de outros? Todo? A vontade de um indivíduo de conhecer a verdade por detrás da evidente mentira justifica esse direito? Qual a diferença entre os dois indivíduos? A profissão? O título? Se a mentira era evidente e danosa e o propósito é a sua exposição porque não admitimos que um o faça e pagamos ao outro para o fazer? Porque privilegiamos a moral à ética?

E a propósito de Isabel dos Santos.

Que direito tinha a Isabel de ser rica à custa do seu país? Nenhum? Sendo filha do homem que governou Angola por décadas não tem direito a usufruir das riquezas do país como sendo sua herança? E um príncipe árabe? Que direito tem de ser rico à custa do seu país? Todo? Sendo filho do homem que governa não tem direito a usufruir das riquezas do país como sendo sua herança? Qual a diferença entre os dois? O regime do país? A queda do rei? Se o dinheiro é todo ele gerado pelo país e ursurpado pelo indivíduo porque consideramos que um é sujo e o outro apetecível? Porque privilegiamos a moral à ética?

Ou porque nos convém?

4 falas

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    Rita 31.01.2020

    Olá Sarin, sim, a confusão é grande! Sempre foi e sempre será! A gente chega a um ponto na vida em que o mais lúcido que se tem a fazer é aceitar que somos confusos. Agora, permite-me também confundir-me com ética da constituição e do aval da justiça. Bjs
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    Sarin 31.01.2020

    Não tens de me pedir permissão nem para te confundires nem para te esclareceres, quando muito terias para me pedires esclarecimento caso não tivesse sido clara no que escrevi.

    Que quem executa a Justiça possa ser questionável, não discuto - mas não duvido nem coloco em causa a necessidade de autorização para invadir a privacidade de terceiros. Até dos criminosos, pois é esta diferença entre legalidade e "justiça popular" o que define um Estado de Direito - e eu gosto de viver num Estado de Direito, mesmo que, e repito, quem o exerça tantas vezes se deixe enredar em interesses que não os da Justiça.

    Sobre a Constituição, é a que temos. E até ser alterada, continua a ser a que temos de cumprir. Ou incumprir, num acto de desobediência civil - também ele ético. O que não podemos é, perante a mesma situação, umas vezes dizer sim e outras não. Isso, além de imoral e anti-ético, é inestético. Ou patético.
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    Rita 04.02.2020

    Olá Sarin, concordo que prefiro viver num Estado de Direito do que num Faroeste, mas ultimamente e por razões pessoais, embora alheias à minha pessoa, ando "um pouco" desiludida com o Direito que vem acoplado ao Estado. Quanto às restantes éticas, estéticas e hipocrisias várias, só a história poderá avaliar o contributo destas personagens para o futuro da humanidade. Quer de hackers que querem ganhar uns cobres à custa dos podres dos outros, quer de advogados que ganham uns cobres à custa dos podres dos outros. Provavelmente irritar-te-às com esta resposta. É compreensível. Aqui há uns anos atrás também me irritaria comigo. Quando ler isto o meu marido provavelmente também se irá irritar comigo! Mas o mundo é um sítio confuso. A fronteira entre o que se deve admitir e o que não se deve admitir num Estado de Direito de forma a não nos transformarmos numa República das Bananas ou numa Ditadura também é difusa, e eu sinto-me melhor tendo dúvidas sobre este assunto do que muitas certezas. Bjs
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