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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Moda

Nunca fui de modas! Quando era miúda vesti uma saia de balão quando todas as minhas colegas já as estavam a arrumar no fundo do armário e a única vez em que me apanharam de calções curtos, meias calças e casaco largo foi num casamento em que a minha mãe já estava a dar em doida com a lista do que eu não queria vestir. Ou talvez sempre tenha sido de modas atrasadas (talvez por vergonha de ser de modas adiantadas!), mas não acho piada a essa correria de quererem ser todos iguais. Às vezes sinto-me arrastada por uma corda comprida pela multidão das gentes, e a caminhar para aqui e para ali por força dos puxões que me dão. Mas também há ocasiões em que me adianto em meses ou anos à moda, em que depois de anos a explicar a diversas cabeleireiras como quero o cabelo e de as ver a torcer o nariz, um dia sentar-me na cadeira e elas reponderem-me com ar naturalíssimo, "ah, quer as madeixas que estão na moda!". O que me faz concluir que provavelmente eu estarei parada e anda uma multidão de gente em ziguezague à minha volta a correr de braços estendidos a apanhar gambuzinos.

Bem, todo este discurso porquê? Porque eu ultimamente tenho dado por mim a agradecer à moda! A conversar com colegas de muitos anos a dizer: "lembras-te...das saias de balão! dos anéis gigantes! do cabelo à futebolista! e de muitas outras modas, e essas lembranças trazerem-me uma sensação confortável de pertença. E sinto que, vendo a sociedade como um todo, sermos todos iguais em épocas distintas torna-nos mais únicos do que sermos todos diferentes em cada época. E talvez daqui se pudessem retirar muitas conclusões sobre a importância do indivíduo face ao grupo e vice-versa, mas hoje não me apetece porque estou bem disposta.