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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Instante

Hoje aconteceu-me novamente um instante. Digo aconteceu, porque é um tempo que é mais que a passagem do tempo. Tenho destes instantes desde há uns anos. Meros segundos em que estando eu a pensar em nada, me deparo com a inspiração na sua forma mais pura. Pena é que são instantes. Em que sinto que agarrei ou que me pendurei num daqueles foles que fazia quando era criança com pedaços de serpentina. Mas, por mais delicadeza que eu tente ter, por mais renitente que pareça em puxar para não destruir o fio de papel, acabo sempre por rompê-lo. Sou demasiado pesada para o papel. E esqueço-o, como um sonho vivido que se esquece dois segundos depois de se acordar. Fica apenas a sensação que apanhei algo, que era bom, mas que não tive o tempo nem o talento de o desenrolar. São aqueles instantes.

Hoje puxei umas notas em piano, um refrão perfeito para uma canção melancólica. Mas enquanto buscava freneticamente a minha mente à procura de outras notas pelas quais o meu instante se transformasse em plágio, perdi-o para o tempo. Só me resta a vaga sensação que eram notas novas para mim mas que não mais as ouvirei.