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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Gentes

Gosto de ler sobre gente comum. Chateiam-me os feitos e desmandos de gente conhecida em excesso. Emocionam-me descrições de pescadores, professoras, combatentes ou senhoritas de outros tempos que enfrentam cada dia como se viver exigisse suor. E sempre invejei essa crueza na escrita, essa escassez de adjectivos com que os grandes escritores nos contam grandes vidas e grandes emoções.

No entanto eu não suo, nunca suei. Nem no corpo, nem na vida, nem na escrita. Por vezes penso que toda a água que tenho dentro de mim se liberta em lágrimas, de dor ou de ilusão. Talvez porque vivo dos olhos e não das mãos. Então fico mais uma vez invejosa, não da escrita mas da vida de outra gente. E bom, talvez seja essa a inveja correcta.