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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Garrafinha ao mar

Sempre gostei de deitar garrafas ao mar. Da incerteza que dá saber que embora nada de nós perdure por muito tempo, talvez algo fique por aí a boiar. Só que sou uma pessoa ecológica e o mar hoje em dia é outro. Já quase ninguém perde tempo a olhar para as ondas da água e as garrafas só se encontram quando presas em redes de pesca!

Faz já alguns anos encontrei eu uma garrafa. Um poema lindíssimo escrito com fúria e publicado num blog completamente perdido que já navega há mais de 10 anos. Um post, um blog, um poema. Sem links, contactos, comentários, nada. Nenhuma forma de chegar ao autor. Apenas um certo desprezo pelo resto da humanidade no cabeçalho. Tropecei nele quando fazia uma pesquisa sobre alguma história que lia, e decorei o endereço porque é do mais simples que há. De vez em quando visito-o com medo que desapareça, e prometi-me que se ele desaparecer volto a publicá-lo.

O meu pai encondia saquinhos com moedas no meio das pedras e eu escrevinho poemas por aí. Depois rio-me. Muito. E assim me entretenho a entreter a esperança.