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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Enfermeiros

Ando com raiva de mim, porque com a idade ando a ficar reacionária, e vejo-me espantada com vontade de defender os liberais e liberalizar Portugal inteiro, o que é contrário ao meu interior que é comunista. Principalmente por causa das greves. Já me chateavam as dos professores, as dos transportes, as dos funcionários, estas, aquelas e mais aqueloutras, chateava-me que a escola funcione quando há greve dos professores mas feche quando há greve dos funcionários, chateava-me que o centro de saúde funcione quando há greve dos médicos, mas feche quando há greve da secretaria, chateava-me que o Metro seja dado à exploração privada simplesmente para evitar as greves, chateava-me conhecer professores que andaram anos a tentar entrar no público, porque o salário era melhor e o horário também, e agora que o conseguiram fazem greve por isto e aquilo, chateavam-me coisa que até me cansa escrevê-las, e agora chateia-me esta greve dos enfermeiros. O dinheiro não se inventa, quando o estado fica sem dinheiro pagam todos, e eu fartei-me de pagar a crise. Ainda a pago. E tudo me chateia porque não sendo eu sindicalista, cheguei a ser conhecida como tal, andava sempre informada e informava meio mundo sobre os direitos dos trabalhadores e sempre achei o direito à greve uma conquista muito importante para a sociedade.

Mas claro que este exacerbar de raivinha tem um motivo concreto. É ter tido uma operação marcada para novembro que foi desmarcada por causa da greve e nem sinal à vista de quando a farei. É a minha mãe businar-me nos ouvidos que eu devia ir a um hospital privado porque tenho seguro e que se fôr preciso ela paga-me a operação, mas eu sou uma teimosa defensora do SNS e corto-lhe a conversa. É, além disso, o meu médico dizer-me que sou um caso de risco e que não me devo arriscar no privado e que se eu entrar em crise não há problema (!) porque operam-me de urgência, e nas urgências não há greve. É eu saber que a médica que me ia operar também o faz no privado, onde aposto que nunca fez uma greve.

E depois ponho-me a pensar como posso pensar nisto se eu acredito que todos deviamos ter remunerações equivalentes e que é uma vergonha termos um país em que o gestor ganha centenas de vezes mais que os trabalhadores.

Mas a verdade é que algumas greves são um dos motivos de haver alguma injustiça salarial neste país, porque nem todos trabalham em sectores em que uma greve afecta o quotidioano dos outros, e nunca vi um grevista a pedir melhores condições para todos, só pedem para si mesmos. Não se compreende que professores e funcionários, médicos e enfermeiros façam greve cada um a puxar pelo seu. Gostava era de ver professores a fazerem greve porque acham que os funcionários ganham pouco, ou enfermeiros em luta pelos direitos dos médicos. Isso sim! Agora fazerem greve num país capitalista com imensos hospitais privados não tem muita lógica. Se estão insatisfeitos que se mudem. Acredito que os hospitais privados estejam a ter trabalho extra e que lhes faça falta um par de mãos a mais.

Bom, agora que já escrevi, já me passou parte da raiva. E pode ser que com o fim-de-semana volte a mim em algumas coisas.

90 falas

conversar

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