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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Do mais ao menos

Cada vez comunicamos mais rápido a todos os níveis, e estamos a ficar cada vez mais ligados entre nós. Será?

Eu cresci numa cidade pequena do interior. Os tempos de viagem mediam-se em horas, e todos esperávam impacientes a chegada da auto-estrada. Mas quando a estrada chegou, em vez de trazer as novidades e trazer o desenvolvimento, levou as pessoas, levou o comércio e levou a vida social que existia. Em vez de ser mais fácil os produtos chegarem às pessoas na cidade, foi mais fácil as pessoas chegarem aos produtos fora da cidade. Não sei se entretanto a estrada devolveu alguma coisa, porque eu, pelo menos, não me recambiei, mas desde essa altura que desconfio de quem me dá o futuro! Claro que houve cidades do interior que se desenvolveram, que apanharam o comboio, ou o barco, ou o autocarro, mas nunca foi por osmose com as grandes cidades e sim à custa do declínio de todas as outras. O mesmo se passa se olharmos para a Europa e talvez para o mundo! Vivemos no tempo da aglomeração!

Ultimamente ando a sentir o mesmo com as pessoas. Cada vez comunicamos mais rápido e as nossas palavras conseguem chegar a muitas mais pessoas. Mas se essa facilidade deveria acabar com a solidão dos mais isolados, acho que a está a aumentar. Cada vez mais só ouvimos quem gosta de se fazer ouvir, e perdemos tanto tempo a fazê-lo que acabamos por não ter tempo para nos dedicar a quem não sabe pregar ao mundo. E o simples facto de ser fácil comunicar, faz com que seja aceitável adiar, e de adio em adio se perde o tempo. Se antes do telefone alguém que se preocupava com outro alguém, ia visitá-lo. Demorava tempo a ir e a vir, e por isso também demorava tempo a estar. Agora basta telefonar, escrever, clicar. Não se demora tempo a ir nem a vir, nem se está. Será?