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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Cúpulas de vidro

Sempre gostei de ficção científica. Novas eras, novos povos, novos planetas...Provavelmente cada um de nós terá algum tema de ficção cientifica que mais lhe agrade, sejam as viagens no espaço, no tempo, os superpoderes, os robots, o teletransporte (o preferido do meu filho), etc etc etc. Eu sempre gostei das cúpulas de vidro que cobriam cidades submarinas, cidades no espaço ou cidades da terra protegendo-as de diversos males.

Acho interessante como a realidade se vai aproximando da ficção de outros tempos, mas nunca da mesma forma, e fazendo nós parte activa dessa transformação nunca lhe damos o mesmo cariz negativo (ou positivo) que a ficção nos apresentava. Não sei se me consegui explicar direito, por isso exemplifico: Hoje em dia a nossa vida é quase toda controlada ou passível de o ser. Os nossos dados, os nossos gostos, os passos que damos são vigiados para isto ou para aquilo. Mas embora haja quem diga que vivemos num Big Brother colectivo, a verdade é que a maioria não se sente realmente observada, aprendemos a precisar e até a gostar de estarmos assim controlado porque nos facilita a vida, e não há nenhum ser maléfico que o faz, somos nós todos enquanto sociedade que evoluímos para isto.

Voltando às minhas cúpulas de vidro, embora gostasse da imagem das cúpulas, sempre odiei aquelas histórias em que elas existiam para separar o ar das cidades do ar poluído exterior, criando casulos onde alguns habitantes viviam protegidos enquanto outros pereciam no ambiente seco causado pela poluição das cidades que viviam muito verdes.

Claro que a separação dos mundos entre desgraçados e privilegiados já existia na época em que estas histórias foram escritas, e existe hoje, só que ainda não tinha visto as cúpulas de vidro a cobrir cidades.

Mas ontem ao andar na estrada deparei-me com mais uma casa aquário (assim chama um colega meu às casas em que as paredes são todas de vidro, estão muito na moda!) e lembrei-me das minhas cúpulas de vidro de ficção científica. Afinal não fizemos cúpulas a cobrir cidades, fizemos cúpulas a cobrir móveis e chamamos-lhes de casas. Onde tudo é fresco devido ao ar condicionado, deixando as ruas expostas ao calor das máquinas, gastando quantidades enormes de energia para que alguns vivam separados do exterior mau e seco onde perece o resto de nós.