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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Copo meio vazio

Ando com o copo meio vazio, que é o mesmo que dizer que ando deprimida. Quando estou assim, magoam-me as arrogâncias dos outros (as minhas nestas alturas não se atrevem a sair da carapaça), e visto a pele dos que não lêem o que se deve ler, ou talvez dos que nada lêem, dos que não ouvem o que se deve ouvir, ou talvez dos que nada ouvem, dos que não vão ao teatro nem ao cinema, dos que comem fast-food, e ai Jesus, que o dão aos filhos aqui e acolá, que vivem vidas sentadas, que engolem o que é fácil de engolir, pela simples razão de que é fácil, e que nada fazem para mudar o mundo, porque o mundo é difícil de mudar entre o almoço e o jantar.

Se pudesse tomava um copo meio cheio! Ficava alegre, aliviada e escrevia textos decadentes sobre o peso da vida, sentindo que lia o que há a ser lido ao som do que deve ser ouvido. Mas não posso. Já não tenho estomago, nem figado, nem vesícula para isso. Se tomar uma só gota de álcool dói-me a barriga, vomito e passo três dias sem suportar a cabeça, tudo sem gota de alegria para fazer valer a pena. Por isso o melhor é tomar a pastilha, porque há que ser a mãe, a mulher, a filha, a amiga e a profissional que tenho de ser. Há que ser, ou não ser, até hoje ainda não percebi a questão.

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