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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

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Abortar

Uma amiga de uma amiga minha, que estava grávida, abortou depois de fazer a amniocentese e esta ter indicado que o feto tinha deficiência. Eu nem consigo enquadrar o sofrimento! Quando estive grávida não quis fazer o exame. Caso os resultados revelassem deficiência, nunca me iria perdoar da decisão que teria de tomar, fosse ela qual fosse. Não estou com isto a julgar ninguém, sou acérrima defensora da liberdade das mulheres decidirem o que fazer com o próprio corpo, e isso, para mim, inclui a decisão sobre se querem passar por uma gravidez ou não. Aliás, votei a favor do aborto e voltaria a fazê-lo. Mas eu nunca o faria por conveniência. E talvez nem por outro motivo. Lembro-me muitas vezes da conversa que tive com uma vizinha na aldeia, já tinha ela mais de 80 anos, em que me contou com lágrimas nos olhos e nas rugas, o aborto que tinha sofrido quando ainda era rapariga, entre o primeiro e o segundo filho. E eu, pasmada como tantas vezes com a vida e o tempo, só me perguntava, como é que esta mulher, passados tantos anos, já viúva, com filhos e netos adultos, ainda se emocionava, como se tivesse sido ontem, com a perda de um filho que nem forma tinha!

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