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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

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A música e as bocas

Ontem, estava eu a caminhar numa dessas vielas da cidade que ainda lembram a aldeia, quando passei por uma loja antiga, dessas que ainda sobrevivem porque os lojistas já têm reforma e não precisam do negócio para sobreviver. Quando me estava a aproximar vi um velho encostado à ombreira da porta a descascar uma fruta e a cantar uma modinha de outros tempos. Fiquei tão impressionada com aquela voz perdida no meio do barulho da cidade que abrandei o passo e fui dar uma volta ao quarteirão para discretamente passar mais uma vez ao lado de quem cantava.

 

Às vezes sinto que a música está a desaparecer das nossas bocas.

 

Não dos ouvidos! Cada vez se vê ouve mais música, as pessoas caminham ao som de música, comem ao som de música, trabalham ao som de música e vão divertir-se ao som de música. Mas raramente vejo gente que cante a caminhar, a trabalhar ou a divertir-se (não digo a comer porque seria uma impossibilidade!). Há cada vez mais pessoas que se dedicam por completo à música e que cantam muito bem, mas por falta de hábitos de canto, o resto da humanidade canta muito mal. É a tal da especialização! Da mesma forma que, não percebendo nada de agricultura tenho a possibilidade de me alimentar, a nossa necessidade de música já não necessita do nosso canto. Imagino se o mesmo, com o avançar da dita especialização, não sucederá com a fala. Daqui a uns anos só alguns comentadores de elite saberão falar e conseguirão expressar opiniões, enquanto que o resto de nós apenas carrega em botões de SIM ou NÃO a infinitos referendos colocados online.

 

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