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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Será que esta gente não tem mais nada para fazer?

Acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho que não!

Pombas

Há uns dias atrás (expressão que para mim é equivalente a "era uma vez" pelo recorrente uso que faço dela a começar cada texto), estava eu sentada à espera de autocarro a olhar para o prédio em frente que a certas horas do dia parece um autêntico pombal, quando vejo uma pomba em voo picado em direção à minha cabeça, qual águia qual falcão, bico em riste, cabeça esticada, asas para trás e olhar concentrado num qualquer bicharoco que andaria por aquelas bandas. Perplexa, comecei a baixar a cabeça, mas... "- PUM -"

O bico da pomba tinha batido com grande estrondo no acrílico transparente da parte de trás da paragem de autocarro.

Depois vi a pomba no chão ao pé de mim, cambaleou por 10 segundos e calmamente mas claramente humilhada voltou a se juntar às outras pombas que continuavam no edifício indiferentes ao que tinha acontecido.

Passei o resto do dia a tentar tirar um significado para a minha vida do que aconteceu, mas não achei nenhum...

Vida díficil esta das pombas! 

Caixas de comentários

Sou contra caixas de comentário desagradáveis. Sou contra populismos.

Mas, políticas à parte, também eu já fui uma caixa de comentários desagradável. Não era a minha intenção, pensava estar a dar uma opinião, mas às vezes uma opinião contrária, ou uma muito simples que destoe do tom, é uma caixa de comentários desagradável. Também já fui populista, mesmo a vocifrar contra os populistas, que isto de falar o que se pensa tem o que se lhe diga!

Vieram-me estas considerações à cabeça ao pensar na moderação dos comentários. Coisas simples, apagar os comentários negativos ou aqueles que não ficam bem na nossa casa. Coisas a que temos direito como detentores de propriedade privada. Tu não entras! A tua opinião contrária não é bem vinda, nem o é a tua falta de conhecimento.

Mudando um pouco de assunto, ou talvez não, aprendi muito com a eleição de Trump. Há uns anos via com regularidade o Daily Show do Jon Stewart e sempre me espantava com quem se prestava a ser gozado num programa com difusão mundial, sabendo de antemão que o ia ser. Depois percebi que as vantagens de publicitar uma ideia errada para muitos, mas certa para alguns, eram maiores que o papel de bobo da corte. Mais tarde ainda percebi que o bobo da corte era afinal o próprio Jon. Acho que ele também percebeu. Por isso saiu. Eu também saí.

Hoje ao defender as minhas ideias aqui e ali, em caixas de comentários ou em discussão à mesa, sou olhada de lado. O que vale é que fui aprendendo algumas coisas ao longo da vida.

Comparações

Ando cansada. Muito. Já ando, inclusive, cansada de incomodar os outros com o meu cansaço!

Há uns dias atrás fui almoçar a um restaurante que frequento de quando em vez. A rapariga que nos atende estava mais magra que o habitual. Perguntei-lhe pela saúde. Respondeu-me que andava cansada e por isso tinha emagrecido. Com os filhos pequenos a entrar na escola, dois trabalhos fora e a casa para gerir nem tinha tempo para comer direito.

Há mais dias atrás, andava eu preocupada com o que ganho, ouvi as queixas de quem ganha o mínimo às pinguinhas, porque o ordenado não é certo ao fim do mês.

De vez em quando apanho estas chapadas de realidade. São boas para eu parar com a pena de mim mesma. Mas cada vez mais me impressiona este país onde a realidade de uns é um exercício de ficção para os outros.