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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Momentos

Ontem o meu filho perguntou-me qual foi o melhor momento da minha vida. Eu pensei um bocado, dei-lhe um beijinho, e menti. Hoje perguntou-me qual foi o pior momento da minha vida. Eu pensei um bocado, dei-lhe um beijinho, e menti. E assim se cortam os altos e baixos da nossa vida para a tornar apresentável.

Resumo

Há uns dias, e a propósito de uma reunião de colegas de liceu, alguém que eu já não via há décadas perguntou-me por mensagem o que era feito de mim. Respondi qual a minha profissão, qual a terra onde vivo, que era casada e quantos filhos tinha. Depois fiquei a pensar que se pode resumir a vida numa linha. Depois fiquei a pensar o que diz de nós a ordem em que pomos a informação nessa linha. Depois fiquei a pensar que se perco tempo a pensar nisto, é porque ando com pouca coisa em que pensar!

mas

Poucas pessoas gostam do "mas". E eu acho que sou uma delas. Embora considere que tenha opiniões fortes sobre a maioria dos assuntos, gosto sempre de colocar um "mas" pelo meio do tema. Porque ninguém tem inteiramente razão. Nem eu! O que acontece muitas vezes é que as pessoas ficam confusas, quer quando estou a discutir a vida e a política com os amigos, a minha profissão com os clientes ou a coscuvilhice com os vizinhos ou a dona da padaria. Já cheguei à conclusão que a maioria das pessoas não gosta de um "mas". Preferem um "sim senhor tem toda a razão" para inflar o ego", ou um "nada disso" para poderem argumentar o seu ponto de vista. Agora um "tem razão mas" poucos conseguem aturar. Ficam a pensar que eu não concordo e só digo que têm razão para ser educada ou que não tenho ideias claras sobre o assunto. Passo por hipócrita ou tonta. Profissionalmente é ainda pior. Se me pedem uma opinião esperando ouvir uma resposta curta e concisa, e têm de aturar um discurso de "nada é 100% e há vantagens e desvantagens" ficam logo a pensar que eu não percebo nada do assunto, ou então que gosto de deitar conversa fora.

Bom, há piores defeitos na vidam, mas este dá-me alguma canseira.

O sonho ao lado da vida

Sempre vivi ao lado do que sonhei, ou melhor, a vida que vivo não é a vida que sonhei mas outra, igualmente boa embora diferente. Dos meus sonhos de miúda, aqueles meios ingénuos, meios estereotipados e talvez inalcançáveis, não concretizei nenhum. Meteu-se a vida no meio dos sonhos. Sonhava em trabalhar em algo importante numa grande empresa ou instituição, mas afinal faço micro trabalhos numa micro empresa, só que minha. Não tenho o apartamento dos meus sonhos todo automatizado, mas vivo numa casa antiga reabilitada por mim. Sonhava em voltar à terrinha casada com um gajo bom para fazer ver às ranhosas, e afinal casei com o gajo fixe (e bom!) e quando volto à terra onde cresci só me apetece é recordar os bons velhos tempos com as ranhosas de outrora. A minha cidade não é nenhum polo tecnológico, mas fervilha de gente com novas maneiras de pensar. O meu país não avançou no ranking económico, mas está à frente em outras coisas que interessam mais, como beleza, segurança e democracia. O mundo não tem aviões em cada esquina e ainda ninguém pôs os pés em Marte, mas o conhecimento tornou-se universal e acessível ao toque de um dedo. E àquela pergunta sobre o que eu queria ser quando fosse grande, que eu respondia com "feliz", já não sei o que responder, porque com os anos deixei de saber o que é isso de ser feliz, e talvez seja mais feliz assim! 

Desbragadices

Ando com saudades dos desbragados! Sempre gostei de ver gente desbragada. Ver ao longe, que ao perto não os suporto!  São talvez os últimos seres verdadeiramente livres, ou então não. Tenho saudades e inveja, ou talvez não. Não sei porque já não me aparecem à frente como antes apareciam. Tendo a culpar a sociedade, mas a culpada serei eu que já não tenho paciência para eles. Talvez do que eu tenho saudades é da paciência que tinha, ou não.

Raiva

Ando com raiva de mim, já não choro nem rio sem fim. E a vida anda plana, feliz, como eu sempre quiz. Eu sei que é da idade, ou da maturidade. São outros nomes para a falta de hormonas.