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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Reunião de pais

Ontem fui à reunião de pais da turma do meu filho mais velho. Estou farta de ir a reuniões destas, de ver os professores a queixarem-se de alunos que perturbam a sala de aula, que falam para o lado, para a frente, para trás e às vezes em diagonal como se estivessem em pleno recreio, a quererem que por milagre os pais tenham mão nos filhos enquanto estes estão na escola, e ao mesmo tempo a dizerem que não escrevem recados na caderneta porque têm pouco tempo de aula e não lhes passam faltas disciplinares para que os miúdos não fiquem com nódoas no curriculum. Os pais dividem-se entre quererem que os professores sejam super heróis e acharem que são os vilões. Eu costumo estar calada porque, como já disse, estou farta disto. Ontem lá me enervei com tanta falta de bom senso e pedi para falar. Enquanto dava a minha opinião à directora de turma de forma calma e ela me prestava atenção, os pais da fila ao lado começaram a falar para o lado, para a frente e para trás e até mesmo em diagonal.

O Sr. João

O Sr. João morreu ontem. Foi merceeiro a vida toda e eu soube da notícia quando fui ao talho. Nunca conheci o Sr. João e nunca entrei na sua mercearia. Um dia, há cerca de ano e meio, enquanto andava pela cidade para desanuviar uma tristeza ouvi o Sr. João cantar à porta da sua mercearia numa ruela escondida da cidade. Nesse dia o canto do Sr. João deu-me um pouco de felicidade. Mas eu não fui à sua mercearia. Meses depois a mercearia fechou. Ontem ele morreu. Não sei o que pensar disto, não sei o que pensar da vida. Não consigo acreditar em Deuses dados ou comprados, mas rezei pelo Sr. João. Espero que de alguma forma algum dia eu faça o bem a alguém sem me dar conta, assim como o Sr. João fez comigo, e consiga pagar o que recebi sem retribuir.