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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Graffiti e greves

Hoje, enquanto estava presa no trânsito, entreti-me a olhar para muros e paredes! E ao lado de originais pinturas murais ou incompreensíveis siglas que nada dizem a quem as vê, aparece aqui e ali um apelo à greve. Ora, embora a tinta seja do mesmo tipo, custa-me associar os operários e motoristas, cansados de um dia de trabalho, a lutarem por melhores condições, com os noctivagos pintores que gostam de animar (ou poluir) as ruas desta cidade. Estão tão longe uns dos outros, como as gordas e coloridas letras de um graffiti estão das maiúsculas de "GREVE GERAL 24/11". Parecem feias, agressivas e rudimentares, as letras dos sindicalistas ali no meio, mas por outro lado se fossem gordas e coloridas como um graffiti, eu nem reparava nelas.

Blogs Úteis

Se há coisa que nunca percebi, aqui no SAPOblogs, é por que raio é que os Blogs estão no separador "Úteis". Não vejo muita utilidade nisto (interesse sim, mas utilidade não), e não acho que seja intuitivo uma pessoa que queira ir a um blog vá ao separador "Úteis". Estaria mais enquadrado em "Notícias" ou em "Vida". Mas bom, enquadrado também é coisa que os blogs não são.

O senso comum

Sempre fui uma mulher com bom senso! Nunca conclui se isso seria ou não uma boa coisa, mas sempre assim me identificaram. Não penso ser nada de mais, apenas uma certa calma em julgar razões. O bom senso sempre foi muito útil aos homens para sobreviver, principalmente quando não havia ciência que nos explicasse a verdade. E sempre julguei que fosse uma característica que se tornaria obsoleta com o desenvolvimento tecnológico. Para que precisariamos do bom senso, se teríamos a verdade. Mas qual não é o meu espanto, quando constato que cada vez mais preciso do bom senso, que as cartas da verdade foram baralhadas e o croupier não é de se confiar. Concluo então que, quanto maior é o conhecimento humano da verdade, conhecendo nós os humanos, maior é a dúvida sobre a verdade do conhecimento.

Os fios das saquetas de chá

Há, na vida quotidiana, certos sinais preocupantes do estado das coisas. Um deles são os fios das saquetas de chá. Ainda me lembro do tempo em que os fios eram suficientemente grandes para colocar em qualquer bule e com uma só saqueta fazer uma litrada de chá. Agora, não sei porquê, os fios são curtos e só dão para colocar em canecas individuais.

Nós e eles

Este fim-de-semana tirei a barriga de misérias! Como muito bem diz o Guia American Express de Portugal, os Portugueses são "gregários. comem e bebem em grandes grupos, em festas ou restaurantes". Então eu, como boa portuguesa que sou, adoro ser gregária, e comer e beber em grandes grupos, especialmente em festas num restaurante.

Estava eu a fazer aquilo que mais gosto, enquanto discutia política, viagens e vidas, quando veio à baila da conversa os algoritmos de selecção de preferências, das redes sociais e programas afins, meus inimigos de estimação. E logo comecei a alardear, que é essa facilidade de obter opiniões que vão de encontro com a opinião que já se tem, que está a radicalizar meio mundo. Em vez de nos depararmos com uns "talvez não seja bem assim", somos constantemente bombardeados com uns "tens toda a razão, é mesmo isso". Até aqui, tudo bem, toda a gente concordou e tal e coisa. Mas depois começaram "ai que as pessoas não lêem as notícias, só se fixam nas gordas", "ai que há muita iliteracia no mundo", "ai que eles não têm capacidade de destrinçar o que é verdadeiro do que é exagerado", "ai que eles...", "ai que eles..." Eles!!!! Nós, disse eu. "Ai que não", "ai que nós não somos assim", " ai que nós sabemos", "ai que nós conhecemos"... E bom, depois olho para a mesa ao lado, e ouço "ai que eles...", "ai que eles...". Depois navego na net e leio "ai que eles...", "ai que eles...", e fico a pensar se "eles" será o coitado do Manel que ajuda as velhotas a trazer as compras do supermercado para casa, porque pelos vistos, ninguém mais se vê no papel.

Os micro

Tenho como hobby matinal, principalmente enquanto tomo banho, pensar. Normalmente palermices que não dou muita importância, mas ultimamente, dada a falta de tempo para pensar coisas que valha às horas decentes, ando agarrada a elas. Um dos meus temas favoritos é Deus. Quem é, quem foi, porque raio não o encontramos! Somos inundados de teorias em que quem nos criou é etéreo, é extra-terreno, ou talvez todo-terreno. Mas quanto mais penso nisso, mais me convenço que nós estamos rodeados por Deus, mas que Deus é micro e não macro. Que nós somos o resultado da evolução de espécies criadas por vírus e bactérias para se hospedarem. Mas somos tão grandes e tão inteligentes, que nem compreendemos de onde viemos e quem nos criou, porque é inconcebível sequer imaginar que fomos criados por seres insignificantes, e não por seres supra poderosos. Aliás, temos o saudável hábito de os tentar exterminar! Mas eles, que são muito mais de triliões, continuam a nascer, viver e multiplicar-se à nossa custa, e no fim acabam por ser eles a matar-nos. E, por mais luta que lhes dêmos, por mais batalhas que vençamos, que eu saiba, ainda são eles que estão a ganhar a guerra!

A tecnologia e os espelhos de lupa

Na minha casa de banho tenho um pequeno espelho com efeito lupa colado a um espelho de parede normal. Se me olhar de perto no espelho pequeno, consigo ver muito bem para que lado estão virados os pêlos das sobrancelhas, mas não tenho amplitude para ver se a risca do cabelo está torta ou direita. Para ver se não tenho um ziguezague na cabeça, tenho de me afastar e olhar no espelho normal. Ou seja, se só me olhar à lupa, fico com as sobrancelhas muito arrumadas, mas completamente despenteada! Isto é um pedaço de pensamento meio básico e parvo, mas levou-me a pensar que a tecnologia tem o mesmo efeito que um espelho de lupa. Anda muita gente com as sobrancelhas todas arranjadas, e o cabelo todo desgrenhado! Antes de haver tecnologia, ou mesmo qualquer tipo de espelhos, o reflexo na lagoa não permitia ver se as sobrancelhas das moças estavam bem desenhadas, mas também, nunca uma sobrancelha fez alguém mais feio! Claro que, mais uma vez, isto não interessa muito, porque nada me impede de me afastar e me ver no espelho normal. Mas no outro dia, o vapor na casa de banho era tanto, que o espelho grande estava todo embaciado, e só me conseguia ver no espelho lupa (porque não está tão frio como o grande que está colado à parede). Não consegui ver bem o cabelo e vim para a rua com com a risca curva e contra-curva...