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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Promessas

Tenho um certo receio de promessas, desde o tempo em que, miúda, prometi ir à missa todos os dias durante uma semana, e até hoje não cumpri! Embora não ache que Deus terá ficado muito zangado (porque me faz umas vontades aqui e acolá), me possa desculpar com a pouca idade que teria, e de inclusive já não recordar qual o motivo da promessa, tenho esta obrigação nas costas que ando a adiar para quando me reformar e tiver tempo de pagar as dívidas ao Senhor. Desde essa altura, que tenho muito cuidado nas promessas que faço a mim própria. Só prometo o que posso facilmente cumprir, ou o que, sendo difícil, é fruto de uma decisão muito pensada. E quando cumpro uma promessa, por pequena que seja, fico sempre muito satisfeita comigo mesma, como se mil anjos perdessem tempo a aplaudir-me! Ora bem, este fim-de-semana plantei as árvores na mata, que tinha prometido plantar quando o país se estava a queimar, no Verão. Clap!Clap!Clap! Plantei, e arrastei comigo quem também plantou, pinheiros, sobreiros, azinheiras e carvalhos. O lugar era bonito, perdido no meio da serra, junto da água e protegido do vento. Terei de lá voltar daqui a uns anos, para ver se pegaram! Agora prometi-me fazer sementeiras na Primavera para ter mais árvores que plantar nos próximos Outonos. Veremos como me vou dar com estas promessas!

Organização

Sou uma pessoa relativamente organizada, e profissionalmente já trabalhei com sistemas de qualidade. Tudo o que esteja relacionado com organização é uma seca! Para os outros e mesmo para mim. É muito útil, poupa tempo e esforço, e garante um padrão mínimo de qualidade. Mas é uma seca! Quando me apontavam este singelo facto eu respondia: "uma das mais antigas organizações do mundo é a Igreja. A certa altura, quando a igreja cresceu muito, os bispos acharam que seria bom sistematizar os rituais, para não ter padres a rezar um pai-nosso e outros três avés-maria. E assim nasceu a missa. Por isso os sistemas de qualidade não foram agora inventados! Sempre existiram! Habituem-se!" Claro que pensando sobre isto, e mais concretamente sobre a missa, quando eu era pequena achava que era uma seca, e nunca me habituei...

3 maneiras de dizer as coisas

10 formas de se limpar quando não há papel higiénico; 5 coisas que precisa de saber para começar o dia; 8 sintomas da depressão; 3 maneiras de fritar o ovo perfeito, 4 tipos de temperamento humano...

Não sei muito bem desde quando, mas hoje em dia os números atacaram os títulos informativos. Antes de sabermos quais as coisas que as mulheres não sabem sobre os homens, ficamos a saber que são 6. E isto é que é importante! Porque há quem nos queira dizer 5 coisas e quem nos queira dizer 6 coisas, e se estivermos indecisos, obviamente preferimos ler quem nos diz 6 coisas!

O meu filho tem o irritante hábito (apanhado talvez nas aulas), de antes de me perguntar algo dizer "uma pergunta, mãe:" e só depois faz a pergunta. Eu digo-lhe "uma resposta, filho:" e depois respondo-lhe.

Mas de hoje em diante, vou começar a responder-lhe "2 respostas, filho:"

Do mais ao menos

Cada vez comunicamos mais rápido a todos os níveis, e estamos a ficar cada vez mais ligados entre nós. Será?

Eu cresci numa cidade pequena do interior. Os tempos de viagem mediam-se em horas, e todos esperávam impacientes a chegada da auto-estrada. Mas quando a estrada chegou, em vez de trazer as novidades e trazer o desenvolvimento, levou as pessoas, levou o comércio e levou a vida social que existia. Em vez de ser mais fácil os produtos chegarem às pessoas na cidade, foi mais fácil as pessoas chegarem aos produtos fora da cidade. Não sei se entretanto a estrada devolveu alguma coisa, porque eu, pelo menos, não me recambiei, mas desde essa altura que desconfio de quem me dá o futuro! Claro que houve cidades do interior que se desenvolveram, que apanharam o comboio, ou o barco, ou o autocarro, mas nunca foi por osmose com as grandes cidades e sim à custa do declínio de todas as outras. O mesmo se passa se olharmos para a Europa e talvez para o mundo! Vivemos no tempo da aglomeração!

Ultimamente ando a sentir o mesmo com as pessoas. Cada vez comunicamos mais rápido e as nossas palavras conseguem chegar a muitas mais pessoas. Mas se essa facilidade deveria acabar com a solidão dos mais isolados, acho que a está a aumentar. Cada vez mais só ouvimos quem gosta de se fazer ouvir, e perdemos tanto tempo a fazê-lo que acabamos por não ter tempo para nos dedicar a quem não sabe pregar ao mundo. E o simples facto de ser fácil comunicar, faz com que seja aceitável adiar, e de adio em adio se perde o tempo. Se antes do telefone alguém que se preocupava com outro alguém, ia visitá-lo. Demorava tempo a ir e a vir, e por isso também demorava tempo a estar. Agora basta telefonar, escrever, clicar. Não se demora tempo a ir nem a vir, nem se está. Será?