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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Dia local da mulher (10 de Março)

Sempre associei as mulheres à natureza. Não por assumirem a reprodução da espécie mas pelo humor variável em histórias de vida que se escrevem de permanências. Assim é a natureza ao longo do tempo, mutável mas cíclica e constante.

Crescer

Tenho mais de metade de vida e sinto-me a mesma criança. Penso da mesma maneira, sinto as mesmas coisas, tenho as mesmas infantilidades. Apenas estou mais cansada porque tudo fica mais pesado.Tudo tem outro peso, os sentimentos, as expectativas, as decisões, até a pele está mais pesada! Parece que a Terra nos vai puxando de volta aos poucos, fazendo-nos sentir uma gravidade maior! 

Resumos

Quando andava no liceu tive bons e maus professores de português. Lembro-me do professor de declamava Camões como se estivesse no D. Maria e da professora que nos obrigava a decorar os verbos como se tratasse de uma tabuada. Mas a professora que mais recordo foi a que no início do ano disse, a propósito de qualquer outra coisa, que guardava os textos e trabalhos dos seus alunos como recordação. Sempre associei a palavra vocação a ela.

Num dos testes que tive com essa professora, no grupo de escrita pedia-nos para fazer o resumo em poucas linhas de um texto apresentado. Eu fi-lo em menos linhas do que o pedido, e a professora deu-me nota máxima no texto elogiando o meu poder de síntese e a capacidade de identificar o assunto com precisão. Eu, que estava em plena adolescência e escrevia desabafos em cadernos de argolas, no teste seguinte achei que devia dar largas à minha veia literária, sem respeito por sintaxe ou pontuação, porque assim escreviam os grandes autores, livres e sem amarras. Claro que quando recebi o teste, a redacção tinha um grande risco vermelho de cima a baixo e a professora estava desiludida comigo. Bom, este é em si mesmo um bom resumo da minha vida. 

Rascunhos

Embora isto aqui seja um espaço anónimo e solitário, ainda não consegui me desprender das correntes do bom senso e da correcção que me impedem de disparatar os egoísmos e loucuras com os quais se forma a minha mente. E também não conclui ainda se da purga resulta benefício.

Lembra-me a diferença entre os rascunhos de um pintor e os de um escritor. Se os esboços que um pintor faz antes do quadro são por si obras de arte dignas de exposição, será que as versões iniciais de um texto são úteis para quem o lê. Ou antes pelo contrário, se se puder observar as várias tentativas que um poeta fez até acertar na forma final do poema, este perde a ilusão de talento!? E então voltando a mim, será que escrever os rascunhos da minha mente me são úteis, ou antes pelo contrário podem deturpar o produto final que são os meus actos!?

Garrafinha ao mar

Sempre gostei de deitar garrafas ao mar. Da incerteza que dá saber que embora nada de nós perdure por muito tempo, talvez algo fique por aí a boiar. Só que sou uma pessoa ecológica e o mar hoje em dia é outro. Já quase ninguém perde tempo a olhar para as ondas da água e as garrafas só se encontram quando presas em redes de pesca!

Faz já alguns anos encontrei eu uma garrafa. Um poema lindíssimo escrito com fúria e publicado num blog completamente perdido que já navega há mais de 10 anos. Um post, um blog, um poema. Sem links, contactos, comentários, nada. Nenhuma forma de chegar ao autor. Apenas um certo desprezo pelo resto da humanidade no cabeçalho. Tropecei nele quando fazia uma pesquisa sobre alguma história que lia, e decorei o endereço porque é do mais simples que há. De vez em quando visito-o com medo que desapareça, e prometi-me que se ele desaparecer volto a publicá-lo.

O meu pai encondia saquinhos com moedas no meio das pedras e eu escrevinho poemas por aí. Depois rio-me. Muito. E assim me entretenho a entreter a esperança.

Altura e gravidade

Há uns dias vi a notícia que um astronauta cresceu temporariamente 5 cm enquanto esteve no espaço. E isso deveu-se à menor gravidade que existe em órbita do que à face da Terra.

Ora, a população humana em média tem vindo a crescer. Dizem que é da alimentação. Mas talvez não seja! Talvez seja a Terra que nos esteja a expulsar para o espaço diminuindo a sua gravidade. Talvez se sinta impotente face ao dano que lhe estamos a causar e o que lhe reste seja perder peso e pôr-nos a orbitar.

Smileys e pontos de interrogação

Não gosto de smileys...ou pelo menos não gostava. Sou em muitos aspectos uma velha do restelo e sempre achei que esta mania de representar emoções por meio de caretas nos estava a fazer esquecer de como as representar por meio de palavras. Como se em vez de pedirmos desculpa a alguém lhe déssemos de presente um sorrizinho amarelo. Além disso as pessoas estão a ficar estúpidas e a deixar de perceber o que lêem se não tiver no fim a explicação óbvia do emoticon. Parece que já ninguém percebe uma ironia se não levar um ;-) ou percebe um desgosto sem um :-(.

Mas depois de pensar sobre o assunto concluí que estava a ver a coisa pelo lado errado. Estava a interpretar o smiley como discurso, e ele na verdade é pontuação! De certeza que antes de inventarem o ponto de interrogação o discurso seria muito mais elaborado e os prosadores mais eloquentes, mas eu também não percebo uma pergunta se no final não levar o ponto de interrogação. Não é?

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