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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Rascunhos

Embora isto aqui seja um espaço anónimo e solitário, ainda não consegui me desprender das correntes do bom senso e da correcção que me impedem de disparatar os egoísmos e loucuras com os quais se forma a minha mente. E também não conclui ainda se da purga resulta benefício.

Lembra-me a diferença entre os rascunhos de um pintor e os de um escritor. Se os esboços que um pintor faz antes do quadro são por si obras de arte dignas de exposição, será que as versões iniciais de um texto são úteis para quem o lê. Ou antes pelo contrário, se se puder observar as várias tentativas que um poeta fez até acertar na forma final do poema, este perde a ilusão de talento!? E então voltando a mim, será que escrever os rascunhos da minha mente me são úteis, ou antes pelo contrário podem deturpar o produto final que são os meus actos!?

Garrafinha ao mar

Sempre gostei de deitar garrafas ao mar. Da incerteza que dá saber que embora nada de nós perdure por muito tempo, talvez algo fique por aí a boiar. Só que sou uma pessoa ecológica e o mar hoje em dia é outro. Já quase ninguém perde tempo a olhar para as ondas da água e as garrafas só se encontram quando presas em redes de pesca!

Faz já alguns anos encontrei eu uma garrafa. Um poema lindíssimo escrito com fúria e publicado num blog completamente perdido que já navega há mais de 10 anos. Um post, um blog, um poema. Sem links, contactos, comentários, nada. Nenhuma forma de chegar ao autor. Apenas um certo desprezo pelo resto da humanidade no cabeçalho. Tropecei nele quando fazia uma pesquisa sobre alguma história que lia, e decorei o endereço porque é do mais simples que há. De vez em quando visito-o com medo que desapareça, e prometi-me que se ele desaparecer volto a publicá-lo.

O meu pai encondia saquinhos com moedas no meio das pedras e eu escrevinho poemas por aí. Depois rio-me. Muito. E assim me entretenho a entreter a esperança.