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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Medidas

Tenho um aquário em casa, nem muito grande, nem muito pequeno, onde tenho alguns peixes que comprei para os meus filhos. Quando fui à loja trouxe uns peixinhos dourados pequeninos e algumas daquelas decorações em plástico na tentativa de melhorar a vida deles e me sentir menos culpada por ter animais presos cá em casa.

Um dia destes, estava eu a olhar para os peixes, reparei que um deles já estava demasiado grande para entrar numa imitação de gruta que lá tinha posto. É o mais comilão e aquele que mais salta quando me aproximo para os alimentar. Também não têm muito que fazer além de comer! Pensei logo em comprar outra decoração maior para o peixe poder entrar, e lá voltei à loja.

Ao passar por uma loja de roupa vi uma camisola e decidi que ia aproveitar e comprá-la porque algumas das minhas já estão a ficar apertadas. Depois disse-me "Não! Tu vais é voltar ao ginásio para encolheres e voltares a vestir o que lá tens em casa" e segui para a loja de animais. Quando peguei na decoração em forma de tronco oco que ia oferecer ao meu peixe, fiquei uns minutos a olhar para ela e decidi comprar a camisola!

Numerus Clausus

Não gosto da palavra "love". É peganhenta, bate na língua e nos dentes e por si só não vale nada. Nunca se sabe quanto "love" é todo ele "love" ou se não passa de um simples "like". "Amor" pelo contrário é uma bela palavra, simples, concisa e que não levanta dúvidas.

Hoje em dia toda a gente "loves" e "likes" coisas a cada 5 minutos e isso faz-me muita confusão, porque quando se gosta de tudo então é porque não se gosta de nada. O tempo é finito. A nossa capacidade de gostar e mostrar interesse é finita e anda por aí muita gente sozinha com muitos amigos. O problema também não é de hoje.

Uma pessoa pode gostar de muitas outras mas ama poucas. Se amar a todas então ama nenhuma porque não tem disponibilidade para se dar a todas elas. Sem preconceitos, o tempo é finito. Por isso se inventaram os numerus clausus nas relações. O casamento mais não é que o numerus clausus das relações. Amas, então dedicas o teu tempo finito a uma só família, para que cada família possa sentir que é amada. Embora seja uma noção que para muitos contrarie o conceito de liberdade, eu acho que deveria haver numerus clausus para muitas coisas. Numerus clausus para amigos, para vícios, para preferências, etc, etc, etc... Em vez de ser "se beber não conduza" seria "se beber não fume" e por aí fora...

Bom era só uma ideia! Não posso comparar com outras porque adoptei o numerus clausus de "1" para ideias a ter num dia!!!!

Simples Assim

Normalmente a explicação para um grande problema é muito simples.

Já explicar porque ocorrem problemas tão grandes a partir de coisa simples é muito complicado.

Pequeno-excêntrica

O meu pai costumava chamar a este e aquela de pequeno-burgueses, esse duplo insulto que ridiculariza a ânsia de ser normal. Pois bem, eu sou pequeno-excêntrica. Esse duplo insulto que ridiculariza a ânsia de não ser normal.

O que é que eu faço? Coisecas, como ir a uma discoteca sozinha só porque quero dançar, abandonar os amigos e ir para o carro dormir só porque estou com sono ou escrever num blogue só porque de vez em quando não consigo viver com tudo enfiado na cabeça.

O que diria o meu pai? "És uma pequeno-burguesa!"

Meia-louca

Quando era miúda as minhas amigas confessavam entre risadas: "Sou meia-louca!!!! Se eu vivesse noutro sítio...!!!". Nessas alturas eu sentia-me sempre sensata demais e invejava essa liberdade apregoada.

Hoje, quando me afundo em mim mesma e não consigo controlar a mente, respondo-lhes baixinho: "Sou meia-louca. Se vivesse na Idade Média queimavam-me viva." E o que me fere não é o "louca", cada um tem o direito de viver no mundo que quiser, o que me fere é o "meia". Esse "meia" que me abre os olhos, que me mantém racional sabendo o que é ficar louco, e me faz perceber que loucos andamos todos.

As palavrinhas todas

"Tens de falar com as palavrinhas todas, se queres alguma coisa tens de o dizer com as palavrinhas todas." Isto é o que o meu marido me diz quando eu, em vez de falar, simulo palavras. E ele tem razão, só que eu gosto de falar por gestos e atitudes e tenho muitas vezes problemas com o presente do indicativo, eu quero, eu digo, eu sou. É muito mais fácil dizer eu fui, eu era, eu serei, eu seria ou então apenas sorrir.

Não há tal coisa como "as palavrinhas todas". Nunca são suficientes e faltam-lhe os gestos e as intenções. Com o tempo cheguei à conclusão óbvia que o sentido de uma frase está nos olhos de quem a vê, como se esta fosse um quadro mais ou menos abstrato em que cada pessoa projecta a sua personalidade. E interpretar as interpretações é um óptimo caminho para o conhecimento do outro. Por isso é que, voltando ao meu marido, quando ele me diz "tens de falar com as palavrinhas todas" eu olho para ele, encolho os ombros e rio-me.

Vitaminas

Carlos Drummond de Andrade escreveu um texto chamado "Escrever é Triste" que também dá nome a um blogue aqui da terrinha. Se hoje fosse ao médico receitavam-lhe Vitamina D, toma-se uma vez por mês, é muito prático e dizem que resolve tudo.

Organizar ideias

Escrevo para organizar as ideias, arrumá-las, catalogá-las e esquecê-las. Também escrevo para depois me lembrar delas! Ou seja, não me importo de as recordar depois de as esquecer porque então já não me ocupam o pensamento! 

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