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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Mundo grávido

Ando preocupada com o mundo. Mais precisamente ando preocupada com a inactividade dos homens para se salvarem. Mais especificamente ando preocupada que a humanidade sabendo que está a viver de uma forma que a pode matar continue a sua vidinha sem realmente se preocupar com o amanhã.

Depois lembro-me que já fumei. Depois lembro-me que sabia que isso me podia matar. Depois lembro-me que foi preciso estar grávida para o deixar de fazer.

Espero que também o mundo fique grávido! E que deixe de fumar.

Isso não é bem assim...

Eu e o meu marido gostamos de discutir (com outros e não entre nós!). O meu marido é do partido "si hay gobierno, yo soy contra", já eu sou do partido "tens alguma razão mas não estás a ver o outro lado".

Ultimamente tenho andado a analisar a reação das pessoas a estes dois tipos de posição de debate, quer na vida real quer na internet, e ando a chegar à conclusão que o meu tipo além de ser raro não é tão bem aceite! Ou seja, as pessoas gostam mais de quem não concorda com as suas opiniões podendo assim extremar posições, do que aceitar opiniões parecidas mas não iguais. A sensação que tenho é que acham que estou a corrigi-las e que se penso mais ou menos como elas então devia estar a dar-lhes palmadinhas nas costas e não a colocar "mas" nas questões.

Às vezes penso que quanto mais o mundo comunica mais problemas tem em comunicar, outras acho que não é bem assim...

Será que esta gente não tem mais nada para fazer?

Acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho acho que não!

Pombas

Há uns dias atrás (expressão que para mim é equivalente a "era uma vez" pelo recorrente uso que faço dela a começar cada texto), estava eu sentada à espera de autocarro a olhar para o prédio em frente que a certas horas do dia parece um autêntico pombal, quando vejo uma pomba em voo picado em direção à minha cabeça, qual águia qual falcão, bico em riste, cabeça esticada, asas para trás e olhar concentrado num qualquer bicharoco que andaria por aquelas bandas. Perplexa, comecei a baixar a cabeça, mas... "- PUM -"

O bico da pomba tinha batido com grande estrondo no acrílico transparente da parte de trás da paragem de autocarro.

Depois vi a pomba no chão ao pé de mim, cambaleou por 10 segundos e calmamente mas claramente humilhada voltou a se juntar às outras pombas que continuavam no edifício indiferentes ao que tinha acontecido.

Passei o resto do dia a tentar tirar um significado para a minha vida do que aconteceu, mas não achei nenhum...

Vida díficil esta das pombas! 

Caixas de comentários

Sou contra caixas de comentário desagradáveis. Sou contra populismos.

Mas, políticas à parte, também eu já fui uma caixa de comentários desagradável. Não era a minha intenção, pensava estar a dar uma opinião, mas às vezes uma opinião contrária, ou uma muito simples que destoe do tom, é uma caixa de comentários desagradável. Também já fui populista, mesmo a vocifrar contra os populistas, que isto de falar o que se pensa tem o que se lhe diga!

Vieram-me estas considerações à cabeça ao pensar na moderação dos comentários. Coisas simples, apagar os comentários negativos ou aqueles que não ficam bem na nossa casa. Coisas a que temos direito como detentores de propriedade privada. Tu não entras! A tua opinião contrária não é bem vinda, nem o é a tua falta de conhecimento.

Mudando um pouco de assunto, ou talvez não, aprendi muito com a eleição de Trump. Há uns anos via com regularidade o Daily Show do Jon Stewart e sempre me espantava com quem se prestava a ser gozado num programa com difusão mundial, sabendo de antemão que o ia ser. Depois percebi que as vantagens de publicitar uma ideia errada para muitos, mas certa para alguns, eram maiores que o papel de bobo da corte. Mais tarde ainda percebi que o bobo da corte era afinal o próprio Jon. Acho que ele também percebeu. Por isso saiu. Eu também saí.

Hoje ao defender as minhas ideias aqui e ali, em caixas de comentários ou em discussão à mesa, sou olhada de lado. O que vale é que fui aprendendo algumas coisas ao longo da vida.

Comparações

Ando cansada. Muito. Já ando, inclusive, cansada de incomodar os outros com o meu cansaço!

Há uns dias atrás fui almoçar a um restaurante que frequento de quando em vez. A rapariga que nos atende estava mais magra que o habitual. Perguntei-lhe pela saúde. Respondeu-me que andava cansada e por isso tinha emagrecido. Com os filhos pequenos a entrar na escola, dois trabalhos fora e a casa para gerir nem tinha tempo para comer direito.

Há mais dias atrás, andava eu preocupada com o que ganho, ouvi as queixas de quem ganha o mínimo às pinguinhas, porque o ordenado não é certo ao fim do mês.

De vez em quando apanho estas chapadas de realidade. São boas para eu parar com a pena de mim mesma. Mas cada vez mais me impressiona este país onde a realidade de uns é um exercício de ficção para os outros.

 

Manifestações

Obrigada Greta!

Há dois anos, depois de Portugal ter ardido, de ter morrido gente, e não vendo eu qualquer espírito de mudança quer no governo quer nas pessoas, fui a uma manifestação dar o meu contributo para despertar alguma consciência. Estávamos meia dúzia de gatos pingados numa praça imensa, com as câmaras a filmar de perto para não se perceber a desgraça da foto tirada de longe.

Ontem éramos centenas ou milhares (não nos contei) e enchemos ruas! Novos, muito novos, velhos e muito velhos.

Obrigada Greta!

Nomes

Há coisas simples que às vezes me escapam, e depois quando raciocino espanto-me com a minha anterior falta de raciocínio!

Andei um tempo invejosa dos nomes das crianças deste tempo, que são tão mais bonitos que os dos adultos da minha geração. Depois raciocinei e percebi que fui eu e as crianças de ontem que demos o nome às crianças de hoje!