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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

E os aviões...

Eu não queria escrever mais nada sobre o assunto, mas estou com esta entalada. E os aviões? Não serão eles o veículo que anda a espalhar o vírus pelo mundo? Aqueles tabuleiros onde pousamos a sandoca que levamos à boca estão a ser suficientemente desinfetados? Porque gente que aparentemente não contactou com ninguém doente em Itália chega a Portugal infectada? E porque será que aparentemente um homem que visitou Portugal (que só tem 41 casos confirmados) já tem a confirmação do vírus na África do Sul?

Bem, pode ser isso como outra coisa qualquer. Vou mas é trabalhar a ver se a minha economia não é muito afectada...

Dizer coisas

Embora se fale em demasia sobre o coronavírus, sinto que andamos todos a tentar não falar tanto assim como isso. E se ando mega preocupada comigo e com os meus, a ponto de não ter concentração suficiente no trabalho, também sinto que ando a esforçar-me para não o transmitir. E se esta última frase escrita num blogue demonstra uma incoerência gritante, também quero aqui fazer alguns agradecimentos:

- Obrigada ao governo e à DGS, sinto que estão a tentar tomar opções equilibradas com a melhor informação que existe, e a Dra. Graça Freitas tem falado ao país numa linguagem clara e simples, o que muito agradeço;

- Obrigada também aos restantes partidos políticos. Salvo algumas nódoas na toalha, têm mantido discrição e com isso fomentado a união do país em torno de um assunto que transcende a política;

- Obrigada aos profissionais de saúde, a todos. Dos contactos que tenho mantido, estão a organizar-se e a preparar o pior cenário (toc toc toc na madeira) e têm sido excepcionalmente compreensivos com as dúvidas dos doentes;

- Obrigada a quem se tem mantido calmamente em quarentena. Não deve ser fácil e fazem-no mais pelos outros do que por eles;

- Obrigada aos meios de comunicação. Neste momento tinham audiência para falar 25 horas por dia sobre o assunto, e não é que ainda conseguem falar de futebol lá pelo meio!?

- E obrigada a todos que não se cansam de mandar os outros lavar as mãos e que exigem que nos cumprimentemos a bater a continência como na tropa.

 

Vamos ver se isto corre bem!

Com calma mas sem hesitação

Estou a tomar medidas calmas para evitar o novo vírus! Ainda não comprei nenhuma máscara e a minha despensa não transborda, mas estou a reduzir viagens e a optar por trabalhar em casa. Bem sei que nem todos o podemos fazer, mas se alguns o fizerem já diminui o número de pessoas nos transportes e nos centros das cidades.

Não sei bem o que hei-de pensar sobre este histerismo que agora domina toda e qualquer conversa. Não estou à espera de morrer!!! Mas 3% quer dizer que 1 em cada 30 pessoas infectadas morre, principalmente se fizer parte de um grupo de risco. No grupo de risco incluem-se os mais velhos (família) e os doentes (por acaso eu, por acaso o meu filho, por acaso o meu sogro, ...). Claro que também não estou à espera de ser infectada!!!

Tenho pena da economia! Coitada.

Uma grande piscadela de olho (agora não se podem dar beijinhos) para todos que estarão na linha da frente, médicos, enfermeiros, funcionários, ... eu vou fazer a minha parte, que será tentar não atrapalhar.

Votar vida ou morte

Tenho andado a pensar como seria o meu voto se houvesse um referendo à eutanásia e nas minhas razões. Descobri que tenho tendência a orientar a minha vida por questões práticas. Embora me imagine uma defensora de princípios acertivos, a verdade é que quase todas as decisões que tomo são práticas. No referendo para a legalização do aborto votei sim, embora na teoria não concorde com o mesmo, nem mesmo concordo que se aborte fetos que apresentam deficiências como síndrome de Down, etc... Mas na prática salvaram-se vidas de mulheres e isso é mais importante que salvar fetos que ainda não têm uma existência definida. Se houver um referendo para a legalização da eutanásia votarei não, embora na teoria concorde que uma pessoa em sofrimento profundo que não consiga se suicidar possa ter ajuda para morrer. Mas na prática, e nos países em que essa prática se implementou, nasceram clínicas que ajudam a morrer pessoas que não estão em sofrimento profundo, organizam-se festas de despedida para pessoas que se querem suicidar e estão a facilitar o processo de tal forma que pensam em dispensar o parecer do médico para o fazer. Na prática acabam-se vidas.

Às vezes vale a pena

ser chata.

Ando muito chata em questões ecológicas. Chata em conversas de almoço, chata em conversas em família, chata em reuniões, chata em festas e por aí fora. "Descobri" há uns anitos que embora haja bloguers e instagrammers que já atingiram o "lixo zero" e comentadores que já acham que o assunto está debatido até à náusea, no mundo real a grande maioria da população está a marimbar-se para a questão e uma fatia considerável das pessoas, mesmo das que estão à minha volta, nem reciclagem faz.

Sendo assim, transfigurei-me numa velha chata (a minha verdadeira vocação) e ando a chatear as pessoas sobre reduzir, poupar energia, comprar português e outras coisas que tais. Às vezes coisas simples como "lugar do lixo é no lixo", outras coisas complicadas como painéis fotovoltaicos e produção de energia para autoconsumo.

A maioria das vezes não dá em nada, nem consegui convencer o mais rico dos meus amigos a comprar um carro eléctrico, nem alguns primos a fazer reciclagem,...

Mas aqui e acolá resulta, e sei que além do que já mudei eu, tenho um ou dois amigos que mudaram como eu aqui e acolá, já houve um grande piquenique em que não se compraram pratos e talheres de plástico por pressão minha, e endoideço quem me quer comprar algo porque sabe que eu ando a ver etiquetas para saber se a coisa é made in Portugal.

E ontem fiquei especialmente feliz. O meu irmão, que por razões profissionais faz algumas viagens de avião no país, decidiu passar a andar sempre de comboio, apesar dos bilhetes serem mais caros e o tempo gasto ser maior. E embora eu saiba que o mano também está preocupado com o ambiente (talvez mais do que eu), também sei que em muito contribuiu eu própria ter decidido abdicar do avião e optar pelo comboio nas férias, coisa que já concretizei com a minha viagem a Barcelona no Verão.

Às vezes isto de ser chata vale a pena :-)

Felicidade

Passei um óptimo fim-de-semana. Tinha pensado vir aqui escrever alguma baboseira sobre o bom que tinha sido. Mas antes que o fizesse a vida pregou-me mais um susto. Pensei "ainda bem que aproveitei os últimos dias". Depois pensei "de que me valiam os dias de felicidade se o susto fosse mais que isso e eu ficasse infeliz". E depois pensei que penso muito nisto e que não vale a pena o tempo que perco a fazê-lo. Por isso não pensei mais nada. Mas também não consegui escrever as baboseiras que tinha planeado. Escrevi outras...

Moral e ética

É difícil perceber o que é certo e errado hoje e aqui e o que continuará a ser certo e errado amanhã e acolá.

Penso nisto a propósito do Rui Pinto.

Que direito tinha o Rui Pinto de invadir a privacidade de outros? Nenhum? A vontade de um indivíduo de conhecer a verdade por detrás da evidente mentira justifica esse direito? E um investigador da polícia? Que direito tem de invadir a privacidade de outros? Todo? A vontade de um indivíduo de conhecer a verdade por detrás da evidente mentira justifica esse direito? Qual a diferença entre os dois indivíduos? A profissão? O título? Se a mentira era evidente e danosa e o propósito é a sua exposição porque não admitimos que um o faça e pagamos ao outro para o fazer? Porque privilegiamos a moral à ética?

E a propósito de Isabel dos Santos.

Que direito tinha a Isabel de ser rica à custa do seu país? Nenhum? Sendo filha do homem que governou Angola por décadas não tem direito a usufruir das riquezas do país como sendo sua herança? E um príncipe árabe? Que direito tem de ser rico à custa do seu país? Todo? Sendo filho do homem que governa não tem direito a usufruir das riquezas do país como sendo sua herança? Qual a diferença entre os dois? O regime do país? A queda do rei? Se o dinheiro é todo ele gerado pelo país e ursurpado pelo indivíduo porque consideramos que um é sujo e o outro apetecível? Porque privilegiamos a moral à ética?

Ou porque nos convém?

Reuniões

Estive há uns dias numa reunião de antigos amigos. Hoje como ontem vi gente aos murmúrios e sorrisinhos privados. Antes imaginava o que estariam a coscuvilhar com tanto interesse e se seria sobre mim. Hoje não estou para palermices e imagino-os em provocações eróticas!

Tolarias minhas

Subir sempre as escadas de minha casa a correr para ver se ainda tenho pernas;

Andar pelos passeios a pular nas pedras de lancil para ver se me confundem com uma criança;

Não utilizar os favoritos no computador para ver se ainda tenho memória;

Não me segurar aos corrimãos nas travagens do metro para ver se ainda tenho equilíbrio;

Ficar a olhar para o telemóvel enquanto ele carrega para ver se ainda tenho paciência!