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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Vergonha de quem os lê

Gosto de ler. Livros, crónicas, artigos, opiniões, etc... Costumo ler crónicas e outras opiniões de gente de quem leio os livros. Mas às vezes, no meio de tanta crítica, tanta opinião, tanta certeza sobre o estado do mundo, tanta vergonha do vizinho do lado, pergunto-me se os escritores têm vergonha de quem os lê.

Coisas boas este fim-de-semana

Adormecer no sofá com a lareira acesa, ouvir a chuva a cair a meio da noite, dormir com o nariz enfiado no pescoço do homem, receber o beijo de um filho, aliviar as preocupações do outro, sentir que a natureza continua igual, que as folhas caem das árvores e inundam o chão, ouvir a voz de um amigo, rir com uma colega de trabalho, sentar-me com a minha mãe, compôr uma coisa velha, dormir até tarde, não cozinhar, comer um diospiro.

Yes, we can't

Descobri no outro dia que sou da geração X! Não me importo muito com o nome porque cresci a ler bandas desenhadas dos X-Men, mas o rótulo não cola. Sinto-me ainda a geração rasca, que depois esteve à rasca, mas mais do que isso sinto-me a geração americana. Da mesma forma que os meus pais viam filmes franceses e italianos ou que os meus filhos hoje veem videos de youtube japoneses e brasileiros, eu via filmes americanos (com muita pena dos meus pais, assim como hoje eu tenho muita pena dos meus filhos!).

Da América chegava música, chegavam filmes, chegavam notícias, e embora eu sempre tenha tido espírito crítico (espero eu!), a verdade é que me formei a ver os americanos a salvar o dia e a força de vontade, inteligência e trabalho de uns poucos bastar para resolver os problemas do mundo. A minha americanice era tão grande que quando era criança pensava que os EUA tinham ganho a guerra do Vietname! Claro que a doença já foi curada há muito. Hoje em dia não espero nada dos americanos, nem descernimento nem empatia, mas ficou-me aquela sensação de que chegado um grupo de aliens ao planeta, os homens iam se unir, os políticos, os militares, os cientistas, e a população em geral iam estar todos a caminhar para o mesmo lado e salvar a humanidade.

Bem, a verdade é que perante uma pandemia global não estava à espera que o que mais relevante viesse ao de cima fosse o egoísmo das pessoas, a burocracia dos serviços e a atrapalhação de quem nos governa. Resumindo, acho comprei o bilhete de cinema errado.

Máscaras e testes

No início desta pandemia em vez de dizerem à população que a máscara era essencial para controlar a propagação do vírus disseram que era uma falsa segurança e que só os profissionais de saúde as deveriam usar. A razão é que havia poucas máscaras. A solução era dizer às pessoas a verdade e pedir para usar o que tivessem à mão. Mas como gostam de nos fazer de parvos recomendaram o que não devia ter sido recomendado e inevitavelmente aumentou o número de doentes.

Agora vêem dizer que não devemos fazer testes por iniciativa própria porque os testes são pedidos e prescritos à população sempre que necessário. Com as delegações de saúde tão assoberbadas que só conseguem notificar contactos com vários dias de atraso e com autorização para mandar testar apenas os sintomáticos, querem nos convencer que está tudo controlado e que podemos ficar descansados à espera de telefonemas que nunca chegam enquanto continuamos a nossa vida "normal" a infectar quem nos aparece pela frente. Poderiam deixar de nos fazer de parvos e dizer a verdade para variar.

 

Separar o trigo do joio

Esta pandemia tem servido para pouca coisa, mas ao menos deu para separar o trigo do joio. Quem se preocupa com os outros e quem se preocupa apenas consigo, quer sejam familiares, amigos, colegas, patrões ou políticos. E infelizmente tenho a dizer que a desilusão tem sido uma constante.

Valem-me alguns sensatos aqui e ali e gente com vontade de ajudar que rema contra a maré.

Staway Portugal

Quase sempre me indago se vale apena emitir opiniões quando o mundo se deixa afundar em questiúnculas! Por isso, e para não extremar posições, na maioria das vezes calo-me.

Hoje pelos visto não.

Vem isto a prepósito da app que anda na boca do mundo. No mesmo dia tive de ouvir colegas meus a dizerem que não a instalavam "porque não", porque para eles, grandes utilizadores de tudo quanto é rede social, que aceitam cookies na net como quem respira, que me criticam pela minha parca utilização das redes e por ter algumas manias na net para evitar que os meus dados e as minhas preferências alimentem os bolsos das grandes multinacionais, para essas pessoas que despreocupadamente partilham fotos, likes e que gostam que o seu GPS saiba onde vivem, onde trabalham e onde f*, que adoram que o seu smartphone saiba quando entram num restaurante ou numa loja, que partilham a sua localização com apps de fitness, apps de encontros e apps de rastreamento voluntariamente, para essa malta que vive com a cabeça enfiada num mini ecrã, o governo está a cometer sacrilégio ao tentar implementar uma app super inofensiva. Uma app que mais não faz que emitir um alerta se eventualmente tivermos estado em contacto com alguém infectado para podermos todos salvaguadar a nossa saúde individual e colectiva.

E depois, depois de aturar esta malta que nada faz e tudo critica, pasmei-me a ouvir na televisão um funcionário do SNS a dizer que a app não servia para nada, que só lhe dáva mais trabalho e lhe confundia as ideias porque não permitia obter qualquer dado sobre a situação em que a pessoa que recebeu a mensagem esteve em contacto com o infectado. E pasme-se, a apelar à sua não utilização, um recurso que embora possa não ser perfeito foi pensado para evitar a propagação da doença, desenvolvido por uma entidade credível e que pelas suas próprias palavras não põe em causa a transmissão dos nossos dados a terceiros.

Bem, entendam-se! E depois instalem a app, sff...

Opinião

Eu tenho opinião sobre tudo! (bem...quase tudo...)

Ainda não percebi bem se somos todos assim e simplesmente não partilhamos a opinião ou se parte de nós não se interessa em ter opinião. Não estou com isto a dizer bem nem mal, simplesmente ando a pensar sobre o assunto porque ando-me a treinar para não exprimir opinião sobre tudo. E como consequência, ando a pensar se exprimir opiniões é uma qualidade ou um defeito. Claro que nem tanto ao mar, nem tanto à terra, e isto e aquilo sobre a relevância da coisa, sobre as novas formas de comunicar e blábláblá e blébléblé. A questão é se vale a pena escrever este texto, se vale a pena tentar impôr a nossa opinião numa conversa de amigos, se vale o tempo que se perde ter e dar uma opinião não solicitada. É que às vezes não. Até porque às vezes corre-se o risco de pensar que dar uma opinião já é fazer alguma coisa quando depois se faz tão pouco. Importante é dar o exemplo, mas a educação das sociedades é como a vida de um carvalho, podes plantá-lo hoje mas nunca o vais conhecer como adulto. Não que isso me tenha impedido de os plantar, mas é muito mais difícil colher os frutos de um exemplo do que de uma opinião. Talvez opiniões sejam como eucaliptos, plantam-se hoje, crescem rápido e faz-se deles papel quando ainda não são mais que bebés, às vezes papel para livros, outras papel que nos limpa o rabo. Porque de eucaliptos adultos já não se faz papel, são árvores monstruosas, super resistentes, às quais o fogo não pega. Talvez tudo o que se precise é de tempo nesta vida, tempo para crescer, quer em exemplos quer em opiniões, e o que me custe não seja a minha necessidade de dar opiniões sobre tudo, mas o pouco tempo que eu tenho para elas.

Abertura das escolas

Primeiro vou agradecer.

Este ano tem sido um ano de excepção. De medo, de adaptação e de constantes alterações. Não tem sido fácil para as escolas. Tenho dois filhos em duas escolas diferentes, e embora uma possa estar a reagir melhor que a outra a esta pandemia, sinto em ambas um esforço por parte de todos os professores, funcionários e directores para fazer o melhor possível pelos alunos e famílias. Os miúdos precisam de voltar à escola e pelas medidas implementadas sinto que estarão em segurança. Pode ser que a escola abra e depois feche e depois volte a abrir e depois a fechar. Esperemos que não, mas já mentalizei os meus filhos para isso. Mais vale aceitar com normalidade o que aí vem e tentar fazer o melhor possível em cada ocasião. Por isso obrigada às escolas!

Depois vou criticar algo que nada tem a ver com pandemias.

Quando eu era miúda as consultas no hospital não tinham hora marcada. As pessoas das aldeias saiam de casa ainda de noite para chegar ao hospital ao nascer do sol e marcar vez para a sua consulta de oftalmologia ou cardiologia ou outra qualquer. Era uma incompetência gritante dos serviços e uma estupidez pegada. Quando o referia diziam-me que não podia ser de outra maneira, que os médicos não podiam perder tempo entre consultas, e que o ministério isto e aquilo e blábláblá. A verdade era que os senhores doutores queriam despachar as consultas o mais cedo possível para depois irem para os seus consultórios particulares onde as consultas tinham hora marcada. Digo-o eu que sou filha de médico.

Mais tarde entrei na faculdade e no meu primeiro ano havia uma tradição chamada "noite de escolha de horários". Havia turmas com bons horários e outras com maus horários, e os caloiros passavam uma noite em claro a marcar vez para escolherem o melhor. Claro que passar a noite em claro era uma tradição da caloirada, mas porque raio havia bons e maus horários e não todos os horários serem assim-assim. Era para nenhum professor perder tempo? Era por causa do ministério? Ou era estupidez pegada?

Bom, voltando ao presente. Porque raio os alunos só sabem o seu horário no primeiro dia de aulas? Causa uma enorme instabilidade às famílias que têm de gerir as idas e vindas das crianças, de organizar ATL's, desportos, músicas, etc, tudo em cima do joelho...Que custa publicar os horários antes das férias, ou pelo menos no início do mês? Não sabem depois das matrículas quantas turmas a escola terá?Mesmo que o nº de alunos por turma venha a sofrer algum ajuste não há informação suficiente nessa altura para publicar as turmas e os horários que em algumas escolas até são os mesmos a cada ano? Qual é o problema? É por conveniência dos professores? É por não existirem funcionários na secretaria? É por causa do ministério? Ou é estupidez pegada?

Todos ralham

Trabalho num sector que sofre de constantes alterações legislativas (eu e talvez todos nós hoje em dia). De qualquer das formas, embora na minha opinião a generalidade das alterações e as obrigações que estas impõem sejam bem pensadas e necessárias, a maioria das pessoas são críticas e não raras vezes lançam suspeitas sobre a idoneidade dos decisores.

Como uma das minhas funções é esclarecer, perco muito tempo da minha vida a explicar, a desmistificar e a fazer ver as pessoas que embora esta ou aquela possa não ser a melhor opção, as sociedades só conseguem mudar alguma coisa, mudando. Mas confesso que ando cansada. No outro dia em plena reunião, ao ver uns técnicos a dizer umas barbaridades fiquei calada. Talvez seja uma das desvantagens da videoconferência, não estamos tão dentro das reuniões e é mais fácil ficar calado.

Hoje com a abertura do ano escolar é a mesma coisa. Uns dizem que é de menos, outros que é de mais. Já estou cansada de tanto Covid. Mas lá está, só se protegem as pessoas, protegendo.

Gerações

Quando eu era rapariguinha era ingénua (graças a Deus!), e achava que estava a crescer comigo uma geração prá frentex, esclarecida, justa e sem macaquinhos no sótão. A geração dos meus pais é que era cota! Tinham crescido nos 60's, tinham libertado o país, mas ainda estavam agarrados a uma educação moralista e sexista, as mulheres apregoavam a igualdade, mas no trabalho eram todas professoras e em casa empregadas domésticas. A minha geração não! Íamos para os copos juntos, íamos às discotecas, ficávamos até de madrugada a discutir o sexo dos anjos, rapazes e raparigas a competir pelo maior murro na mesa.

A minha primeira decepção veio quando já trabalhava, ao perceber que um desses rapazes que ía para os copos comigo e dáva murros na mesa à minha beira, achava que a namorada é que devia tratar das tarefas domésticas. Outra veio quando percebi que uma amiga minha, que ía à discoteca comigo e passava as madrugadas a debater o sexo dos anjos, achava que o marido não devia se meter tanto na educação dos filhos. E por aí fora, de decepção em decepção...Agora já nem ligo ao facto de haver gente da minha geração que pensa que precisamos de voltar ao tempo da nossa senhora ou que ache que ensinar rudimentos de educação sexual na escola seja sacrilégio. O que me espanta é como não dei por eles enquanto crescia!

 

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