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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Emoções

Surpreendo-me muitas vezes comigo mesma. com pequenas coisas minhas que nunca tinha entendido sobre mim em mais de quatro décadas de vida. coisas que talvez sabia mas que não entendia.

Uma dessas coisas é o fato de eu ser uma pessoa mais racional que emotiva. porque "acusarem-nos" de ser racional parece que nos estão a "acusar" de não ter emoções. e eu sinto-me cheia de emoções. então sempre disse que não. que sou espontânea. apaixonada. emotiva.

Mas no outro dia, estava com uma amiga minha a decidir a quem pedir ajuda para um trabalho, e ela fala com alguém que não percebia do assunto só porque simpatiza com ele (eu também, mas não era essa a questão). E só ali, naquele instante de vida, eu entendi o que sempre soube, que ela guia-se pela emoção e eu pela razão. e que esse facto, de ela tomar uma decisão sem lógica guiada puramente pela emoção me causou mais emoções do que a leve emoção que a levou a tomar a tal decisão.

 

Não vá o contrato tecê-las...

às vezes venho aqui ao blog não fazer nada porque tenho medo que isto se apague. tenho preguiça de ler as condições do contrato do blog. ou melhor tenho preguiça de saber se existe um contrato. também tenho preguiça de copiar o que me interessa guardar. ando com preguiça de pensar se vale a pena guardar sendo a alma grande e pequena.

depois comove-me ver que ainda andam aqui uns quantos que são os mesmos e outros tantos se foram sem memória.

há muito muito tempo atrás li num blog já esquecido uma história de paixão que tinha começado à janela. a cidade era grande, a rua estreita, os prédios altos e as janelas eram bancos onde se podia sentar. o rapaz estava de visita e a rapariga gostava da janela. depois gostou do rapaz e ele dela. passado um tempo ele foi embora e assim acabou. 

quando li esse pedaço de vida, há muitos muitos anos atrás, olhei pela minha janela. ao fundo de uma rua, de uns quintais e de uma ruela via-se um prédio com luz atrás de outra janela. olhei e vi um rapaz com uma chávena na mão. na vez seguinte que me lembrei de olhar já tinham construído outro prédio à frente e só se via betão.

 

Bom dia!

Embirro com esse ponto de exclamação que se segue ao "Bom dia". Não foi coisa que aprendi. Depois do "Bom dia" deve-se colocar uma vírgula. É um início de uma conversa escrita, não um grito de entusiasmo de quem acabou de beber um café. Além disso é coisa híbrida. Parece frase de gente que está a meio da idade (como eu), que aprendeu a escrever "Exmo.(s) Sr.(s)" nas cartas e fax's, e quando se viu confrontado com :-) ;-) :-/ e emojis vários decidiu-se pelo meio termo. Aliás, nos últimos anos cada vez mais se escreve com pontos de exclamação. Se te querem cumprimentar e se te querem censurar. E vários de uma vez só a chamarem-te cegueta. Como se cada vez mais as palavras não fossem suficientes para passar a mensagem e estivessemos todos viciados em hieróglifos. Talvez porque se escreva com menos palavras, talvez porque somos piores escritores que os nossos pais e avós. Pergunto-me se é um sinal de como vai o mundo. Mais estupefacto, menos sereno.

Tudo isto porque hoje de manhã o meu marido reencaminhou-me um email profissional dele que começava com "Bom dia!". Et tu, Brute!!!

Guardar frases

Escrever é a arte de criar frases. Pastorear é a função de guardar ovelhas. Mas pode ser que escrever seja a função de guardar frases e pastorear a arte de criar ovelhas. Ou então escrever é a função de criar ovelhas e pastorear a arte de guardar frases. 

Como me sinto

Ontem perguntaram-me como me sinto. Sinto-me como um soldado numa frente de batalha, a quem o general manda avançar sem colete anti-balas. Responderam-me, se tu te sentes assim, então os profissionais de saúde! Esses são paraquedistas a saltar sobre um campo minado, com paraquedas feitos de trapos.

Vergonha de quem os lê

Gosto de ler. Livros, crónicas, artigos, opiniões, etc... Costumo ler crónicas e outras opiniões de gente de quem leio os livros. Mas às vezes, no meio de tanta crítica, tanta opinião, tanta certeza sobre o estado do mundo, tanta vergonha do vizinho do lado, pergunto-me se os escritores têm vergonha de quem os lê.

Coisas boas este fim-de-semana

Adormecer no sofá com a lareira acesa, ouvir a chuva a cair a meio da noite, dormir com o nariz enfiado no pescoço do homem, receber o beijo de um filho, aliviar as preocupações do outro, sentir que a natureza continua igual, que as folhas caem das árvores e inundam o chão, ouvir a voz de um amigo, rir com uma colega de trabalho, sentar-me com a minha mãe, compôr uma coisa velha, dormir até tarde, não cozinhar, comer um diospiro.

Yes, we can't

Descobri no outro dia que sou da geração X! Não me importo muito com o nome porque cresci a ler bandas desenhadas dos X-Men, mas o rótulo não cola. Sinto-me ainda a geração rasca, que depois esteve à rasca, mas mais do que isso sinto-me a geração americana. Da mesma forma que os meus pais viam filmes franceses e italianos ou que os meus filhos hoje veem videos de youtube japoneses e brasileiros, eu via filmes americanos (com muita pena dos meus pais, assim como hoje eu tenho muita pena dos meus filhos!).

Da América chegava música, chegavam filmes, chegavam notícias, e embora eu sempre tenha tido espírito crítico (espero eu!), a verdade é que me formei a ver os americanos a salvar o dia e a força de vontade, inteligência e trabalho de uns poucos bastar para resolver os problemas do mundo. A minha americanice era tão grande que quando era criança pensava que os EUA tinham ganho a guerra do Vietname! Claro que a doença já foi curada há muito. Hoje em dia não espero nada dos americanos, nem descernimento nem empatia, mas ficou-me aquela sensação de que chegado um grupo de aliens ao planeta, os homens iam se unir, os políticos, os militares, os cientistas, e a população em geral iam estar todos a caminhar para o mesmo lado e salvar a humanidade.

Bem, a verdade é que perante uma pandemia global não estava à espera que o que mais relevante viesse ao de cima fosse o egoísmo das pessoas, a burocracia dos serviços e a atrapalhação de quem nos governa. Resumindo, acho comprei o bilhete de cinema errado.

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