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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

Contar tostões de energia

Quando andava a estudar e tinha de gerir a mesada até ao fim do mês, estava habituada a contar tostões. Embora nunca tenha passado por dificuldades, sempre sabia quanto dinheiro tinha na carteira, quanto dinheiro tinha no banco, fazia levantamentos de multibanco pelo mínimo e pensava três vezes antes de gastar dinheiro.

Quando comecei a trabalhar deixei de contar tostões. Não é que tenha ficado rica ou passado a esbanjar dinheiro, mas deixei de ter uma mesada apertada para gerir e deixei de contar o dinheiro que tinha na carteira.

Ultimamente ando preocupada com o planeta, e na minha vida quotidiana tenho tentado diminuir a minha pegada ecológica, seja em casa, no carro, nas compras, etc. Então hoje, enquanto conduzia na autoestrada com o carro já muito quente, em vez de ligar o ar condicionado (que é o que faria há uns anos atrás) diminuí a velocidade e abri as janelas. Depois senti-me outra vez a contar os tostões, só que agora de energia gasta!

Circuitos mentais

De vez em quando leio uma crónica que gosto e começo a ler mais do mesmo autor. Uma vez ou outra acho que a pessoa que a escreve pensa como eu, fico contente porque não sou só eu a pensar assim e passo a ler o que escreve de forma regular. Mais tarde ou mais cedo descubro que aquele escritor, que já vivia comigo em simbiose mental, afinal tem uma opinião da qual eu discordo e fico com raiva de alguém que declaradamente tem os mesmos mecanismos de pensamento mas não chega às mesmas conclusões que eu. Depois fico a pensar que o melhor é ler quem pensa de modo completamente diferente, porque para pensar igual estou cá eu e o que faz falta neste mundo é gente com visões diferentes ou com capacidade de aceitar outras opiniões. Assim começo a ler quem de mim diverge em tudo. Passados uns tempos começa-me a chatear tanta opinião mal pensada, começo a ficar enervada com o facto de nascer gente que não consegue somar 2+2 e volto aos autores que têm a mesma opinião que eu, tentando dar-lhes a mesma abertura de pensamento que dou àqueles que me são contrários. Começo então a perceber que eles próprios andam à toa como eu e que eram muito bem capazes de escrever as mesmas tolices que eu. Fico desiludida porque afinal somos todos demasido parecidos e volto a ler quem me é contrário, para me sentir diferente. Com isto leio aqui e ali e pelo menos não fico sempre no mesmo sítio. Depois imagino quantos de nós são como eu. Talvez ninguém, provavelmente todos.

A vida corre

É um lugar comum, mas quanto mais anos tenho, mais a vida passa a correr. É talvez a rotina, a sensação que hoje foi igual a ontem, o cansaço ao fim do dia que me faz querer mergulhar no de sempre. Claro que de quando em vez tento mudar isto, mudar a minha vida aqui e ali para fugir da rotina, mas quanto mais anos tenho, mais experiências colecciono e menos a vida me parece uma novidade. Na vida, sou uma maratonista, quer com a família, amigos ou profissionalmente, corro a uma velocidade moderada sabendo que a meta está sempre longe. Há quem passe a vida a correr os 100 metros. Pergunto-me se eles também sentem que a vida está a acelarar, ou se correr com a meta sempre ao alcance do olho esconde o tempo que passa.

Pescadinha de rabo na boca

Nos últimos anos tenho chegado à conclusão que os portugueses, nos quais eu me incluo, não tinham ainda interiorizado o conceito do estado ser o conjunto de todos nós. É uma entidade demasiado grande para se parecer com a pessoa que sou eu e os outros. Por isso era (ainda é?) aceitável fugir aos impostos, danificar património e ser passivo em relação ao que o estado faz com dinheiro de todos. Mais distante que o estado estavam os bancos e mais ao longe ainda as empresas. Se se faziam empréstimos que não se podiam pagar, o problema era apenas de quem ficava na falência e dos bancos que eram ricos. Se não se pagavam compras que se tinham feito o problema era apenas de quem ficava com os bens penhorados e das empresas que eram ricas.

Claro que teoricamente sabiamos, mas de saber a saber vai uma grande diferença.

Veio a crise. E afinal não era bem assim. Se uma pessoa compra e não paga, mais cedo ou mais tarde pagamos todos, se alguém pede dinheiro para entrar num negócio que não dá certo e vai à falência, mais cedo ou mais tarde pagamos todos, e se o estado não recebe os impostos que precisa de alguns, mais cedo ou mais recebe-os de todos. A economia é uma pescadinha de rabo na boca, mas uma pescadinha viva, que não pode parar, com risco de não conseguir depois arrancar novamente.

A solução é estarmos todos mais conscientes e pedir responsabilidade a quem tem de tomar decisões. Se um médico fizer asneira grossa vai a tribunal por negligência e pode perder a carteira profissional, assim como muitas outras classes profissionais. Então políticos, gestores, banqueiros, bancários, etc também deviam ir a tribunal por fazer asneira grossa. Ou ficar sem a carteira profissional. Talvez assim todos tiríamos mais consciência.

Não sei em quem votar!

Nas europeias voto de acordo com o grupo político europeu em que está integrado cada partido e com o trabalho desenvolvido pelos eurodeputados, por isso tenho a minha decisão já tomada. Mas para as legislativas estou um pouco confusa (Floribela dixit). Costumo votar à esquerda, mas não voto sempre no mesmo. Gosto desta Geringonça, acho bem que uma força política tenha que negociar e ceder em algumas pastas para governar (a ideia de maioria absoluta parece-me demasiado totalitária para o meu gosto), por isso e por algumas posições do PS que não gostei em alguns assuntos verdes, ía votar PCP ou BE. Mas confesso que esta mania dos partidos mais à esquerda desprezarem sistematicamente as consequências financeiras dos seus sentidos de voto anda-me a enervar um bocadichito. Além de já não perceber bem o que é isso da defesa do trabalhador que tanto apregoam. Continuo a ver pessoas a ganhar uma miséria, a trabalhar ao lado de outras que ganham razoavelmente bem, fazendo exactamente a mesma coisa. Mas a maioria das lutas laborais que vejo são de gente que já pertence aos quadros e não ganha assim tão mal, enquanto andam outros tantos a trabalhar "a dias" sem ver a sua situação profissional estabilizada, sem condições de formar família, etc, etc, etc... (quer no estado quer no sector privado). E depois as empresas fartam-se e subcontratam tudo em contratos de mão-de-obra que pagam mal e porcamente e instala-se uma pescadinha de rabo na boca que não ajuda ninguém. O problema é que não vejo ninguém a quebrar o ciclo, vejo discursos de outrora que não resolvem o problema das pessoas. Gosto do trabalho que este PS está a fazer, não é perfeito mas é o melhor das últimas décadas e à partida votaria Costa, mas não gosto de maiorias absolutas...

Super-cola

No outro dia, ao dar a volta às notícias deparei-me com um cabeçalho do tipo "As minhas chuteiras tinham de dar para o ano todo e colava-as com super-cola" referindo-se a um jogador de futebol que provavelmente passou algumas dificuldades na infância para hoje poder ganhar uns milhares. Na altura que li o título da notícia (o meu parco interesse futebolístico não me pediu para ler mais) senti a natural compaixão pela infância difícil de quem quer que tenha passado por provações.

Isto até ontem! Quando dei por mim a colar as sapatilhas do meu filho com cola de contacto! Qual será a cola que demonstra um nível de vida melhor: a super-cola ou a cola de contacto?

5 gerações

Há uns tempos li um estudo onde se explicava que ao ritmo que a sociedade portuguesa tem evoluído serão necessárias 5 gerações para os homens partilharem as tarefas domésticas em igualdade com as mulheres.

Eu acredito que o estudo traduza a realidade. Uma das maiores desilusões da minha vida adulta foi perceber que muitos dos meus amigos homens, que estudaram ao meu lado, que foram para os copos ao meu lado e que trabalham ao meu lado, se portam dentro de casa da mesma forma que o meu pai se portava com a minha mãe.

Dizem-me que estas coisas culturais e generacionais são difíceis de mudar e mais blábláblá. E eu cito o meu filho e digo: SÓ QUE NÃO!

E também explico: a minha mãe foi educada de forma conservadora e viveu numa época moderna, por isso viveu com o meu pai de uma forma conservadora mas educou os filhos de uma forma moderna (foi uma super mulher que trabalhava fora, trabalhava em casa e tinha à sua responsabilidade a educação dos filhos). Ora, se eu fui educada para pensar que a vida a dois deve ser partilhada a todos os níveis, quando chegou a minha vez agi da forma como fui educada. Posso me orgulhar de dizer que se algum dia eu fizer greve ao trabalho doméstico estarei a desrespeitar enormemente o meu marido, porque ele faz tanto ou mais que eu.

Resumindo, demora apenas uma geração para mudar atitudes. Basta educá-la como deve ser!