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Ri-te Rita

que a vida não rima

Ri-te Rita

que a vida não rima

O céu está azul e as crianças já brincam na rua

Choveu. A casa salvou-se. Obrigado Deus por teres tido um tempinho para tratar do meu pedido. Eu sei que tens a vida muito ocupada, tens de salvar meio mundo, matar outro meio, deixar uns com muito e outros com nada, por isso fico muito agradecida por ter ficado acima da linha d'água (ou de fogo).

Entretanto estive a tratar da minha lista de promessas. Peço desculpa por usar este espaço para a escrever mas assim fico mais comprometida com o dito e o escrito. O meu rácio de cumprimento de promessas é de 2 em cada 3, o que não será mau de todo! Então vamos a ela...

 

Eu solenemente prometo que:

1-Vou novamente telefonar ao figurão de Lisboa com as heranças encravadas, que tem a quinta abandonada junto à minha casa, para lhe propor a compra da parcela da quinta anexa ao meu lote. Vou perder a vergonha na cara e ameaço-o, não com as queixas que já faço na Junta, mas com fotos no facebocas do mato a cobrir as árvores ou com denúncias à CMTV sobre a negligência dos altos cargos da nação.

2-Vou perder amor ao dinheiro e limpar todo o campo agrícola abandonado ao lado do meu campo, que pertence a gente que viverá no Brasil há mais de 50 anos sem nunca cá pôr os pés, e não apenas a faixa de 1 metro que tenho mandado roçar todos os anos. Depois de limpo o mato, vou perder amor ao dinheiro e plantar lá árvores que evitem que as silvas cresçam.

3-Vou cortar umas árvores do jardim que estão demasiado perto da casa e que são mais susceptíveis ao fogo.

4-Vou comprar castanheiros, carvalhos e azinheiras e plantar nas áreas que arderam.

5-Vou comprar um extintor e colocá-lo à vista no hall de entrada.

6-Vou alterar o isolamento térmico com que tencionava revestir a casa por um outro ignífugo.

7-Vou poupar mais água em casa, aproveitando a água fria que tenho de desperdiçar até chegar a água quente.

8-Vou dar o comando dos portões à vizinha do lado, para em qualquer emergência poder usar a casa.

9-Vou saber se a aldeia tem uma motobomba para abastecer as mangueiras em caso de falta de energia, e se não a tiver, vou organizar uma recolha de fundos para a comprar.

10-Vou falar com a Câmara para colocar um marco de incêndios no largo.

 

Depois vou despedir o neurónio responsável pela gestão da casa. É um neurónio bem intencionado, emotivo e trabalhador, mas andava feito barata tonta e pensar no que se poderia fazer, quando há tanto por onde começar. Só pensava em passeios pela mata a plantar pinheiros e apanhar pinhas, mas para alguma coisa mudar é preciso gastar dinheiro e não deixar para os outros o trabalho que é de todos nós.

 

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